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Professores estaduais fazem paralisação contra parcelamento

Sindicato estima adesão de 50% a 70% dos docentes na Capital. Secretaria Estadual da Educação monitora situação

Por
Claudio Isaías

Professores em paralisação fizeram ato em frente ao Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre

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Professores da rede estadual paralisaram nesta quinta-feira as suas atividades em razão do atraso nos salários. Um levantamento dos núcleos 38 e 39 do Cpers/Sindicato, organizadores da manifestação, estima que 50% a 70% dos docentes decidiram pela suspensão das aulas nas escolas de Porto Alegre. A manifestação foi realizada na Praça Piratini, no bairro Santana, em frente ao colégio estadual Júlio de Castilhos. O professor de sociologia Daniel Damiani, da direção central do Cpers, disse que a categoria permanece mobilizada em protesto pelo descaso do governo estadual com a educação. "Decidimos parar no primeiro dia útil de cada mês em função dos salários atrasados ou parcelados", ressaltou.

A categoria defende ainda um reajuste salarial de 28,75% e a abertura de concurso público para professores e funcionários administrativos. "Um estudo feito pelo Dieese mostrou que os salários dos educadores gaúchos é o segundo pior do país perdendo apenas para o estado do Pará", explicou. Conforme Damiani, a condição dos educadores é dramática e a paralisação teve o objetivo de chamar a atenção de toda a sociedade gaúcha para o problema. "Muitos colegas estão vivendo uma situação de miserabilidade e com dificuldades de comparecer ao trabalho", ressaltou. O diretor do sindicato afirmou que existem casos dramáticos de colegas que estão endividados em razão do atraso dos salários. "Muitos docentes não recebem seus vencimentos porque fica tudo no Banrisul por conta dos empréstimos contraídos para sobreviver", acrescentou.   

A diretora-geral do 39º Núcleo do Cpers/Sindicato, Christiane Gomes, disse que os educadores da rede estadual estão há 41 meses com os salários parcelados ou atrasados e sem reposição da inflação desde novembro de 2014. Além disso, as promoções e progressões de carreira estão congeladas por quase cinco anos, levando a um dramático achatamento salarial da categoria. “Estamos no limite da miserabilidade e o desgaste psicológico é insuportável. Não temos condições de continuar trabalhando nessa situação", destacou. Segundo ela, os educadores sabiam que o ano seria difícil e que o governador Eduardo Leite não conseguiria colocar em dia os salários da categoria. "É lamentável que estejamos passando por tudo isso de novo em 2019. Não podemos mais aceitar salários parcelados e congelados, miséria e humilhação. O magistério é uma categoria que está doente", ressaltou.  

No final da manhã, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) informou que estava apurando nas coordenadorias regionais de educação a lista das escolas que aderiram à paralisação liderada sindicato dos professores. A secretaria ressaltou que os esforços estão voltados ao diálogo com os professores na busca da construção de uma educação de qualidade que priorize o aluno.