Professores, pais e alunos se mobilizam contra a volta às aulas no Rio Grande do Sul

Professores, pais e alunos se mobilizam contra a volta às aulas no Rio Grande do Sul

Manifestação ocorreu eu frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre

Cláudio Isaías

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Professores estaduais, pais e alunos protestaram nesta quarta-feira na frente do Palácio Piratini, no Centro de Porto Alegre, contra a proposta do calendário de volta às aulas no Rio Grande do Sul. O cronograma de retomada das atividades nas instituições de ensino foi proposto pelo governo do Estado. A manifestação respeitou o distanciamento em função da Covid-19 e contou com um grupo de cerca de 40 pessoas, um caminhão de som e um telão que mostrou depoimentos de pais e professores contrários ao retorno das aulas no Estado. No calendário apresentado pelo Executivo estadual, os estudantes do Ensino Infantil voltariam para a escola no dia 31 de agosto. Os ensinos Superior, Médio e Fundamental voltariam em setembro. Já os anos iniciais do Ensino Fundamental teriam as aulas presenciais retomadas em outubro. As datas são as mesmas para as escolas públicas e particulares.    

A presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer, disse que a manifestação teve o objetivo de denunciar a falta de estrutura das escolas e de qualquer possibilidade de retorno às atividades escolares. "Não temos condições de retorno, porque as instituições de ensino não têm funcionários e capacidade estrutural para receber os estudantes", ressaltou. Segundo Helenir, as escolas gaúchas não podem se transformadas em polos de contaminação do coronavírus. A presidente do Cpers ressaltou que sem a queda de casos da Covid-19 e uma vacina contra a doença, não é possível reabrir as escolas. “Não podemos permitir que as crianças sirvam de cobaias, inclusive, para ver se vai ter contaminação ou não”, afirmou. Segundo ela, muitas escolas não têm recursos humanos suficientes para cuidar da higienização e do controle dos alunos.

Helenir destacou a falta de equipamentos de proteção para funcionários e professores que já atuam em regime de plantão. Uma pesquisa do sindicato mostrou que mais de 90% das escolas não têm recursos adequados para um retorno seguro e que 86% não acreditam que é possível retomar as aulas sem vacina. Apenas 6% responderam que é possível e os demais afirmaram não saber. Além disso, 84% dos pais afirmaram que não mandariam os filhos à escola antes da disponibilização de uma vacina. Apenas 5% levariam e 11% afirmaram não saber. Em nota, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) informou que respeita todas as manifestações democráticas. Desde o início da pandemia do coronavírus, a Seduc tem trabalhado em ações com o objetivo de proteger a vida dos estudantes, dos professores e dos demais envolvidos na rede estadual de educação.

O possível retorno de crianças e adolescentes às escolas no final de agosto e início de setembro é visto com preocupação pela Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul. A entidade reconhece a extrema complexidade do assunto uma vez que há dois aspectos em debate variando conforme a realidade de cada família. De um lado estão aqueles que podem continuar exercendo suas atividades em home-office e por segurança preferem que as atividades continuem de forma online. Porém, há famílias que estão retomando o trabalho e não possuem alternativa para viabilizar alguém que cuide dos filhos.

O consenso, segundo o médico pediatra José Paulo Ferreira, da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, é de que precisam ser respeitadas as peculiaridades de cada região e de cada família. “As pessoas estão muito inseguras para esse processo de retomada das aulas. Não há respostas para tudo. Há vírus e bactérias diferentes circulando em diferentes países e em diferentes estados", acrescentou.

Ferreira explicou que não é possível se basear no que acontece na Europa e nos Estados Unidos. “É interessante observamos que há, sim, pais que não estão tendo outra opção porque precisam trabalhar e há relatos de casos de muitas famílias que precisam recorrer a meios alternativos, o que acaba expondo-as de qualquer maneira", ressaltou. Ferreira diz que são decisões que precisam envolver a parte médica, social e econômica.


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