65 anos de Monumento ao Expedicionário: relembre a história do cartão-postal de Porto Alegre

65 anos de Monumento ao Expedicionário: relembre a história do cartão-postal de Porto Alegre

Arco homenageia os combatentes brasileiros na 2ª Guerra Mundial, foi inaugurado em 1957, após uma campanha do Correio do Povo

Christian Bueller

Arco em homenagem aos combatentes brasileiros na 2ª Guerra Mundial nasceu a partir de uma campanha lançada pelo Correio do Povo

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“Onde a gente se encontra?”. “Vou estar perto do arco da Redenção”. Um dos símbolos de Porto Alegre, ponto de referência dos mais conhecidos e utilizados da cidade completa 65 anos neste dia 16. O que nem todo mundo sabe é que o Monumento ao Expedicionário, obra em homenagem aos combatentes brasileiros na 2ª Guerra Mundial, foi inaugurada em 1957, após uma campanha lançada pelo jornal Correio do Povo na década anterior.

Quando o conflito chegou ao fim, em 1945, a empresa jornalística se mobilizou para que fosse construído uma espécie de “arco do triunfo” como uma reverência aos soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que haviam lutado contra o Eixo e retornam ao país, tipo de tributo que se repetia Brasil afora. Muitos destes “pracinhas” eram gaúchos e o diretor do jornal na época, Breno Caldas, liderou o movimento que gerou um concurso público para a elaboração de uma edificação que marcasse o fato.

A manchete daquele 25 de maio foi “Lançada, ontem, pelo Correio do Povo em brilhante assembleia popular a campanha Pró-Monumento ao Expedicionário”. A notícia aprofundava: “O governo e o povo do Rio Grande do Sul, representados na memorável assembleia de ontem à noite hipotecaram seu irrestrito apoio moral e material à iniciativa do ‘Correio do Povo’ fazendo sua esta campanha de exaltação à FEB cujo clímax será a construção...”. Para Breno Caldas, “o monumento não deve apenas exaltar a glória militar da FEB, mas ser o símbolo de um Brasil, digno e livre, e do povo brasileiro, sempre unido contra a brutalidade e opressão”, discursou, durante o lançamento da campanha.

Um ano depois, ocorreu o ato da pedra fundamental do monumento, no local onde está a obra hoje em dia, no Parque Farroupilha (Redenção), em frente ao Colégio Militar, na avenida José Bonifácio.

“Em meio de aplausos o dr. Breno Caldas, diretor do ‘Correio do Povo’ colocou então a urna no interior da pedra fundamental do futuro Monumento, correndo sobre a mesma, a laje simbólica”, noticiou em página inteira a edição do dia 10 de maio de 1946 do jornal. Ele integrou a comissão executiva Pró-Monumento, junto a Alcides Gonzaga, Salathiel Soares de Barros e Alexandre Martins da Rosa.

Concurso lançado, o arquiteto e escultor pelotense Antônio Caringi – o mesmo criador da Estátua do Laçador – foi o vencedor da disputa que concebeu a obra visionária com duas aberturas, ao contrário do Arco do Triunfo francês, inspiração do projeto. A novidade gerou polêmica na ocasião, resultando na demora da construção, concluída apenas em 1957. A estrutura de granito trazia esculturas em relevo representando soldados de diversas armas. Uma estátua em bronze na parte posterior era uma figura feminina alegórica inspirada nas estátuas de Atena: com armadura, a pisar uma serpente – o que significaria a vitória, ou segundo a imprensa da época, a bravura. Na frente, a inscrição “À Força Expedicionária Brasileira - A Pátria agradecida”.

Inauguração histórica

Desta forma, o Correio do Povo mancheteou, letras em caixa alta, as páginas 8 e 9 da edição de 18 de junho, dois dias depois da inauguração da homenagem: “Esplendor e civismo nas cerimônias inaugurais do Monumento ao Expedicionário do Brasil”. Passava das 9h daquele domingo do dia 16 quando uma multidão se reuniu em torno da obra. No palanque, o governador Ildo Meneghetti, o prefeito Leonel Brizola e o general gaúcho, comandante da FEB, Mascarenhas de Moraes. Os pracinhas mortos na guerra foram lembrados sob aplausos, com balançar de flores. Enquanto isso, aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) davam show nos ares.

Assim, o jornal descreveu o momento: “Na clara manhã banhada por um sol radiante, o quadro que se ia formando era festivo e imponente, a um só tempo. O céu, de um azul intenso e límpido, oferecia o Monumento, talhado em belíssimo granito branco do RS, o adequado contraste que lhe ressaltava a pureza das linhas, a harmonia dos volumes, a majestade do conjunto”. Três placas de bronze dispostas na edificação resumem simbolicamente a justificativa da homenagem. Uma delas relaciona os nomes, as patentes militares e as cidades de 18 pracinhas gaúchos da FEB mortos na II Guerra Mundial. Outra placa é do Ministério da Marinha e a terceira relaciona as operações de destacamento da FEB, incluindo as batalhas mais importantes na Itália: Monte Castello em 29 de novembro de 1944, 12 de dezembro do mesmo ano e a conquista em 21 de fevereiro de 1945.

Ponto de encontro

Atualmente, o Monumento ao Expedicionário recebe diversos eventos na Redenção, não somente as cerimônias cívicas e apresentações do Exército em datas comemorativas. Apresentações de artistas locais e nacional já ocorreram, assim como manifestações de cunho social e atividades com serviços promovidos por empresas privadas e solenidades do poder público. Por exemplo, o local sediou o lançamento do calendário e selo comemorativo dos 250 anos de Porto Alegre, promovido pela prefeitura.

Além disso, o Brique da Redenção, recebem, aos finais de semana, milhares de pessoas que passam por aquele arco duplo, que serve de cenário para fotos coletivas e selfies. Apesar das marcas do tempo, o ponto de encontro está mais vivo do que nunca, aos 65 anos. “Vamos nos encontrar na Redenção?”. “Sim, ali, perto do Monumento ao Expedicionário!”.

Foto: Matheus Piccini


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