Abandonado, Hospital Álvaro Alvim é alvo constante de invasões, furtos e depredações

Abandonado, Hospital Álvaro Alvim é alvo constante de invasões, furtos e depredações

Local permanece sem qualquer tipo de vigilância e serve como abrigo para usuários de drogas

André Malinoski

Local segue abandonado no bairro Rio Branco

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O Hospital Álvaro Alvim, localizado no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, perto de escolas e do comércio, está abandonado e tem sido alvo constante de invasões, furtos e depredações. O local também serve como abrigo para usuários de drogas. Na quinta-feira, às 13h50min, o portão de acesso ao local, situado na rua Professor Álvaro Alvim, nº 400, permanecia apenas encostado e sem qualquer tipo de vigilância. 

A guarita de segurança estava vazia. No pátio havia lixo, diversos tipos de materiais espalhados e até um capacete de motoqueiro esquecido. A vegetação, sem cuidados, cresceu desordenadamente na área externa. O aposentado José Rodrigues, 65 anos, contou que a situação está insuportável. “Isso é uma vergonha. Está um entra e sai de marginais, que carregam fios de cobre em sacolas. Tem um casal que até dorme lá dentro”, reclama o morador dos arredores.

Antes o Hospital Luterano da Ulbra, como algumas placas ainda indicam, funcionava ali, mas, há uma década, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) ficou responsável pela administração da instituição, pertencente ao governo federal. Houve a cessão do espaço à Prefeitura da Capital pela União. A ideia seria aproveitar a estrutura sem uso para receber pacientes de Covid-19. Por diversos problemas verificados após análise de laudo técnico, não houve aproveitamento do hospital. No dia 2 de agosto, o HCPA devolveu as chaves do local para o governo federal. Agora a situação é de total abandono. “A cidade está largada às traças. A Guarda Municipal vem aqui com frequência, tira fotos e corre com os invasores. Mas os ladrões voltam minutos depois”, lamenta José Rodrigues.

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, abordou o tema nesta sexta-feira. “O prédio pertence ao governo federal e passou a ser governado pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Quando as portas ainda estavam abertas, visitei o local porque o hospital ainda tinha uma boa estrutura. Mas tem um laudo condenando esse hospital e custaria muito dinheiro e tempo. Fizemos outras opções na época da Covid, não faltaram leitos. Não poderíamos reabrir”, explicou.

Às 14h27min da quinta-feira, José Rodrigues ligou outra vez para a Guarda Municipal, que já havia estado no hospital pela manhã e informou que realiza patrulhamentos diários no local. No último dia 18, equipes da Ronda Ostensiva Municipal (Romu) prenderam em flagrante um homem que estava dentro de uma sala do hospital com fios e caixas contendo toners de impressoras. O suspeito, que foi encaminhado depois para a Polícia Federal, já havia sido preso pela Brigada Militar às 5h da manhã do mesmo dia no local.

Além do total abandono do hospital e das facilidades para qualquer pessoa ingressar em suas dependências, o local oferece riscos de acidentes, especialmente no que compete ao teto. Algumas partes caíram e deixaram buracos com restos de fiação. A produtora de moda Carolina Brandt, 44, passava pela calçada e ficou chocada ao saber da situação. “Não sabia que estava dessa maneira. É perigoso e um absurdo deixarem um imóvel desses assim”, observou. No entorno do hospital há moradias e prédios, e os moradores estão apreensivos com as sucessivas invasões e barulho promovido por delinquentes durante as madrugadas. “Já fomos assaltados aqui no prédio duas vezes por pessoas que invadem e saltam o muro para o andar térreo com facilidade”, relata a estudante Jéssica Trindade, 22. “Na primeira vez o assalto foi às 15h e, na outra, aconteceu em torno das 2h da madrugada. Levaram televisores e aparelhos de celular. Entram, pegam o que querem e saem correndo”, detalha.

Os invasores buscam especialmente os fios de cobre, que têm grande potencial de revenda. Mas há relatos de diversos materiais sendo levados em sacolas e até caixas. Assim que escurece, os meliantes chegam a fazer vigília no outro lado da rua à espera de uma oportunidade mais reservada para entrarem em busca de qualquer objeto de valor. “Está muito perigoso andar por aqui ao anoitecer, até porque os bandidos chegam de ‘bonde’”, diz o pintor Luis Carlos, 22. Na gíria popular, “bonde” significa grupo.

Para agravar mais o problema, o Hospital Álvaro Alvim está com uma grade retorcida na rua lateral, o que permite o ingresso pelo espaço de uma pessoa de porte médio. O que antes abrigava vegetação bem cuidada agora virou um matagal em alguns cantos da instituição. E o portão de acesso onde ficava o antigo ambulatório do Hospital da Ulbra, na Travessa Desembargador Viêira Píres, também está aberto. Não há cadeado ou corrente de proteção. Ao empurrar o portão, há uma japona e latas de cerveja espalhadas pelo chão, sinal da presença recente de invasores. Uma estreita escada de concreto à esquerda conduz para um pequeno morro coberto por capim e lixo, onde percebe-se na parede à direita um espaço que abrigava um aparelho de ar-condicionado, mas agora está vazio. Chama a atenção haver alguns botijões de gás maiores por perto, talvez os criminosos ainda não tenham percebido ou estejam receosos de carregar tanto peso. Restos de fiação e muita sujeira compõem a paisagem. 

O local é propício para ser utilizado como esconderijo, por oferecer cantos obscuros. Nas imediações, as pessoas não sabem o risco que correm. A poucos metros, fica localizado um residencial geriátrico, onde há entra e sai de pessoas em visita a familiares e amigos internados. O desabafo de José Rodrigues resume bem a situação: “A comunidade está em pânico aqui”.

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