Agricultores atingidos pela estiagem protestam em frente ao Palácio Piratini

Agricultores atingidos pela estiagem protestam em frente ao Palácio Piratini

Manifestantes se queixaram de abandono

Gabriel Guedes

Grupo de pequenos agricultores protestou, nesta sexta-feira, em frente ao Palácio Piratini

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Integrantes de pelo menos cinco entidades e movimentos do campo realizaram na manhã desta sexta-feira uma manifestação em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. Cerca de uma centena de agricultores familiares reivindicam medidas concretas dos governos estadual e federal contra os efeitos provocados pela estiagem que atinge o Rio Grande do Sul há quase seis meses.

Com faixas, cartazes, alguns produtos agrícolas e um solitário bater de panela, o grupo tentava chamar a atenção do governo Eduardo Leite sobre a gravidade dos problemas e a demora com a falta de ajuda diante dos prejuízos com as perdas dos cultivos e criações, agravadas com a crise do novo coronavírus.

O representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Osmar Moisés de Moura, reclama de esquecimento por quem, segundo ele, deveria ajudar. “A gente está aqui cobrando do governo do estado uma pauta que já foi entregue em janeiro. Estamos desde lá cobrando uma resposta sobre esta questão da estiagem. Com a Covid-19, o governo esqueceu este problema”, denuncia.

Mais de 350 municípios já decretaram situação de emergência devido à seca, o equivalente a 69% das cidades gaúchas. Moura afirma que a pauta de reivindicações cobra a criação de um Comitê Emergencial para tratar especificamente do assunto. Além disso, os agricultores denunciam que o governo gaúcho adquiriu mais de R$ 23 milhões em cestas básicas de atacadistas com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), e ignorou o mínimo de 30% de compras da agricultura familiar, conforme determina a lei do Pnae, entre outras coisas.

Apesar do assunto ser estiagem, os agricultores não se descuidaram com a Covid-19. Praticamente todos estavam usando máscaras e luvas, seguindo o protocolo sanitário estabelecido pelas autoridades. De acordo com Moura, o protesto, embora tenha ocorrido de forma pacífica e sem interromper o tráfego da Rua Duque de Caxias, é considerado por Moura um ato extremo diante dos problemas da agricultura familiar, um dos setores mais importantes pela produção gaúcha de alimentos.

Participam da manifestação o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), a União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea-RS). O governo do estado foi procurado pelo Correio do Povo e até a publicação desta notícia, não havia se posicionado sobre o assunto.


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