Após acorrentar filho, mãe consegue leito em clínica no Estado

Após acorrentar filho, mãe consegue leito em clínica no Estado

Moradora de Capão da Canoa prendeu em casa adolescente viciado em crack

Wagner Machado / Correio do Povo

publicidade

O sofrimento da mãe que precisou acorrentar o filho de 17 anos para obrigá-lo a deixar o vício das drogas em Capão da Canoa, no Litoral Norte, pode ter um final feliz. Após matéria publicada no Correio do Povo mostrando o desespero da dona de casa com a falta de leito público para menores de idade em clínicas de tratamento para dependentes químicos, o secretário estadual de Justiça e dos Direitos Humanos, Fabiano Pereira, conseguiu uma vaga para o jovem em Montenegro, no Vale do Rio Caí.

"Precisei recorrer à mídia para que alguém me ouvisse. Agora meu filho irá se recuperar. Ele é um menino bom", diz Vera Lúcia dos Santos ao destacar que o crack é uma epidemia que dizima famílias. De acordo com o diretor de Políticas Públicas Sobre Drogas, Solimar Amaro, o Estado gasta R$ 4 mil mensais entre medicamentos e assistência com cada um dos 900 leitos que compra.

O secretário Fabiano Pereira explica que a necessidade de leitos é muito maior que as vagas oferecidas. "Infelizmente, a demanda é grande, mas em 2012 pelo menos 300 novas vagas serão compradas pelo Estado", garantiu. "Com esse ato humanitário, entre tantos outros que precisam do nosso apoio, esperamos mostrar às autoridades locais que com empenho o fluxo de vagas pode funcionar. O ideal é que a mãe não precisasse realizar esse ato extremo", diz Pereira ao lembrar que o jovem deve ficar até nove meses na clínica para não retornar ao vício.

Entenda o caso

Em um gesto desesperado, uma dona de casa de Capão da Canoa acorrentou o filho de 17 anos no pé da cama para que ele deixe de consumir crack. Há seis dias, ele não sai do quarto nem para ir ao banheiro. A decisão de acorrentá-lo surgiu após a fuga dele do Hospital Santa Luzia no 13 dia do tratamento de desintoxicação. O jovem retornou para residência, furtou a família e saiu para a rua. Depois de alguns dias, quando voltou à residência, a mãe impediu que ele saísse novamente. "Dói muito fazer isso, mas não aguentava mais a situação. Não sou um monstro. Fiz por amor, já que ele corre perigo na rua", disse Vera Lúcia.

Ela optou por não levar o filho novamente para o hospital, pois ficaria apenas 21 dias ou fugiria novamente e poderia ser assassinado. No entanto, luta para conseguir leito em um centro para dependentes químicos. "Infelizmente, não há vagas para pobre nesses lugares. Não existem leitos públicos para menores de idade", revela a mãe, que é doméstica, mas, para cuidar do jovem, não está trabalhando e teme não conseguir pagar o aluguel. Tem outros seis filhos.

De Rondônia para o Rio Grande do Sul

De Rondônia, a família decidiu vir para o Rio Grande do Sul em 2007, quando percebeu que o garoto tinha amigos supostamente envolvidos com drogas. A mãe descobriu que o filho era dependente há cerca de 7 meses. Ele reconhece o esforço, mas diz que o poder do crack é mais forte. "Sei que ela está fazendo isso para o meu bem. Por minhas forças não consigo me livrar das drogas", resumiu ele, que estudou até a 6 série.

Segundo a secretária da Saúde de Capão da Canoa, Susete Borba Pereira, de fato não há leitos para menores em clínicas. É preciso que ele vá para um Centro de Atenção Psicossocial e novamente para o hospital. "Se a mãe seguir esse processo, poderemos ajudá-la e entrar com uma ação judicial para conseguirmos o tão aguardado leito gratuito", explicou a secretária.

Bookmark and Share

publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895