Aplicação da 2ª dose da Pfizer é marcada por escassez e informações desencontradas em Porto Alegre

Aplicação da 2ª dose da Pfizer é marcada por escassez e informações desencontradas em Porto Alegre

Vacinas se esgotaram rapidamente em alguns pontos nesta sexta-feira

Gabriel Guedes

Muitas filas foram registradas nesta sexta em Porto Alegre

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Mais uma vez a escassez de doses provocou corrida aos postos de vacinação de Porto Alegre por aqueles que precisavam fazer a segunda aplicação da Pfizer nesta sexta-feira. Filas, faltas de doses, informações desencontradas, além da chuva e do frio, fizeram o morador da Capital reviver as cenas caóticas do dia 5 de maio, quando havia poucas doses da Coronavac/Butantan.

Na maioria das 20 farmácias parceiras da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) houveram filas com centenas de pessoas, logo as vacinas se esgotaram rapidamente. Em pelo menos uma das unidades de saúde, a ausência de doses da Pfizer já era conhecida desde o dia anterior. Mesmo assim, a Prefeitura de Porto Alegre manteve a divulgação de que haveria doses disponíveis no local. A diretora de Atenção Primária da SMS, Carol Schirmer, pediu desculpas pelos transtornos.

“Fui em duas farmácias, na Wenceslau Escobar, na São João e na Panvel, e não tinham mais doses. Já tinham distribuído senhas. Aí vi no site da Prefeitura que tinha aqui. Mas cheguei e não há doses”, descreve o morador do bairro Tristeza, Luis Henrique Hochhegger, que percorreu cerca de 17 quilômetros até a Unidade de Saúde Belém Novo, no extremo sul da Capital, por causa de uma informação desencontrada no site oficial da Prefeitura.

Desencontros

Conforme foi apurado, no local não havia mais doses da Pfizer desde quinta-feira à tarde. Hochhegger foi apenas uma das pessoas afetadas pela desinformação sobre a distribuição da segunda dose da Pfizer. Também foi divulgado na página da Prefeitura, que haveria vacinação na unidade da Pague Menos, na rua José de Alencar, no Menino Deus. Entretanto, várias pessoas foram ao local e não encontraram vacinas desde o início. “A gente lamenta e não trabalhamos para ser desta forma”, responde Carol.

Nas farmácias, as filas foram crescendo conforme o tempo foi passando pela manhã. E em muitos dos locais, a quantidade de pessoas superou o número de vacinas disponíveis. Quem ganhava uma senha, tinha a vacina garantida. Quem não recebia, tinha que torcer para que restasse alguma dose, já que a SMS informou que não teria remanejamento de vacinas.

“Viemos até aqui por proximidade de casa. Quando fiz a primeira dose, no posto, tinha mais gente vacinando, estava mais organizado e não tinha este terror de faltar doses. Eu sou a última da fila que tem dose assegurada. Mas o senhor aqui atrás vai aguardar, porque pode ser que tenha uma redistribuição. As pessoas estão com a data marcada para tomar a segunda dose e há uma fila imensa”, desabafa a Ana Lúcia Andrade, 54 anos, que estava aguardando na fila da loja da Agafarma da avenida Benjamin Constant, no bairro São João. Ela perdeu o marido e a mãe por causa da Covid-19.

Falta de logística

A diretora da SMS põe a culpa dos problemas a operação logística da Pfizer. “A vacina da Pfizer tem um período de descongelamento e cinco dias para ser usada. A gente não gosta de disponibilizar muito. Às vezes acaba pela manhã e a gente acaba não tendo como avisar que está em falta naquele local. Também as pessoas acabam indo num dia e não no outro. E a segunda dose vira a primeira. Porque, diluída, temos até 6 horas para utilizá-la. Certamente não vamos perder esta dose e acaba virando a primeira. A vacina da Pfizer é muito sensível. A ideia é não perder dose”, explica Carol

Ela afirma que a SMS está estudando uma forma melhor de fazer futuramente a aplicação da segunda dose da Pfizer. “Queremos implantar um agendamento por aplicativo para fazer a Pfizer. Em termos de processo logístico, ela é muito mais complicada. Bem diferente de outras, como a AstraZeneca, que é menos sensível à temperatura”, conclui Carol.

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