Aumenta o número de ambulâncias transportando pacientes do interior para atendimento em Porto Alegre

Aumenta o número de ambulâncias transportando pacientes do interior para atendimento em Porto Alegre

Com a pandemia, a quantidade de doentes que vinham se tratar na Capital havia diminuído

Cláudio Isaías

Ambulâncias voltaram a trazer pacientes do interior do Estado para consultas e exames em unidades de saúde de Porto Alegre

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Mesmo com a pandemia da Covid-19, o transporte de doentes do Interior para Porto Alegre, conhecido como "ambulancioterapia", segue sendo realizado pelas prefeituras do interior do Estado que trazem os pacientes para as emergências dos hospitais de Porto Alegre. No final do mês de março, quando da implementação das medidas de distanciamento em razão do novo coronavírus, ocorreu uma redução na presença dos enfermos de outras cidades nas instituições de saúde. No entanto, passados mais de quatro meses das restrições feitas pelas autoridades, o que se vê no entorno dos hospitais de Clínicas, Nossa Senhora Conceição, Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e São Lucas é uma grande movimentação de pacientes chegando em vans e ônibus.

A maioria chega cedo para a realização de consultas, tratamento e exames. Nesta terça-feira pela manhã, na Praça Argentina, uma van da cidade de Bento Gonçalves chegou com aproximadamente 15 pessoas que tinham com destino a Santa Casa, o Clínicas e o Nossa Senhora Conceição.

A aposentada Isabel Cristina Rodrigues disse que utiliza pelo menos uma vez ao mês os serviços das ambulâncias para consultar em Porto Alegre. "Infelizmente, existem municípios que não têm recursos locais para tratar uma pessoa, o lógico é recorrer aos locais onde existem esses recursos", explicou.

Mesma situação, com intensa circulação de pacientes em direção ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), foi verificada na rua Jerônimo de Ornellas. A Praça Major Joaquim Queiroz é outro ponto utilizado pelos ônibus e vans, que aguardam os pacientes depois das consultas nas instituições de saúde.

O termo "ambulancioterapia" foi criado há pelo menos 20 anos, quando a maior parte das prefeituras gaúchas não possuía sistema de saúde e encaminhava todo os doentes para Porto Alegre.

A chefe da Unidade Observação Verde da Emergência do HCPA, Silvana Teixeira Dal Ponte, disse que as ambulâncias, tanto municipais, quanto estaduais, seguem aportando na emergência, trazendo pacientes que necessitam internação hospitalar. "É muito importante que os reguladores das ambulâncias façam contato prévio com o médico da emergência para que este possa expor a situação atual deste serviço, como lotação e recursos disponíveis e também se há possibilidade de serem encaminhados direto à CTI ou enfermaria, se eles já estiverem internados em outros locais", acrescentou.

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre informou que a redução das consultas e procedimentos eletivos durante a pandemia fez com que reduzisse também a vinda de pacientes do Interior. No Hospital Santa Clara, unidade da Santa Casa que mais recebe pacientes através da “ambulancioterapia”, os atendimentos tiveram queda em torno de 50%.

A partir do mês de setembro, com a retomada gradual dos atendimentos, a tendência será de retorno também gradual das ambulâncias emplacadas em diferentes municípios do Estado. O Hospital Santa Clara registra, em setembro, 13% de ausências nas consultas agendadas para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Já o São Lucas informou que o movimento de ambulâncias, mesmo com a pandemia, segue intenso. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) explicou que a prefeitura possui dois hospitais próprios - o Materno Infantil Presidente Vargas e o Pronto Socorro, onde não ocorre essa circulação de pacientes. Segundo a SMS, o movimento das ambulâncias do Interior ocorre muito mais no HCPA, Santa Casa, São Lucas e Conceição.


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