Aumenta procura por fisioterapia por pessoas que estavam com Covid-19

Aumenta procura por fisioterapia por pessoas que estavam com Covid-19

Demanda faz com que clínicas tenham de ampliar equipes

Gabriel Guedes

Procura por fisioterapia aumenta em pacientes que tiveram Covid-19

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A jornada de pessoas que pegaram Covid-19 e enfrentaram um quadro severo de debilidade não se encerra ao terem alta da doença. Agora precisam recorrer à fisioterapia para poder se reabilitarem e voltar a levar uma vida normal. Embora não se tenha números, o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 5ª Região (Crefito-5) tem observado nas últimas semanas um movimento crescente de oferta de trabalho entre os profissionais para realizarem fisioterapia respiratória, principalmente.

O presidente do Crefito-5, Jadir Camargo Lemos, diz que tem acompanhado o movimento dos profissionais fisioterapeutas e que muitos têm relatado uma procura maior pelos serviços nas clínicas, consultórios e até mesmo a domicílio. “Nos grupos de WhatsApp, sempre o pessoal está perguntando por profissionais para atendimento a domicílio. Já vinha pouco antes da onda atual. E nesta onda atual aumentou sensivelmente”, acredita Lemos.

Na clínica onde trabalha Sandro Groisman, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, a demanda foi tão grande que foi necessário ampliar a equipe, que tinha dois fisioterapeutas e agora conta com cinco. E o detalhe: todos atendem entre cinco e seis pacientes por dia e praticamente não há horários sobrando. “Faz umas três semanas que aumentou muito o movimento. Não sei é porque o volume é maior de pessoas ou foi no boca a boca. Têm aparecido muita gente com falta de ar (dispneia), déficit funcional, artralgia, dores no corpo e cefaleia tensional. Tudo neste pós-covid”, relata.

Groisman se diz também impressionado com o estado que chegam as pessoas à sua clínica. “Com este tipo de gravidade é a primeira vez que vejo. O que mais nos assusta é a diversidade de danos. Pessoas com problemas músculos-esqueléticos e respiratórios. Outros, que passaram por infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral). Ficamos bem impressionado com a quantidade de sequelas causadas pela Covid”, observa. “Tudo depende da função respiratória. Eu tive Covid e fiquei extremamente debilitado. E a é preciso devolver a capacidade funcional ao paciente. Mesmo após a alta do hospital, ele precisa garantir a função respiratória, comprometida pela perda de bastante massa muscular”, explica o presidente do Crefito-5.

De acordo com Groisman, para pessoas com sequelas menores, o tratamento dura entre 30 e 45 dias. “Mas desde o ano passado temos pacientes que já estão se tratando há seis meses”, informa o fisioterapeuta. Alguns estão procurando o serviço sozinhos e outros, por orientação médica, segundo Groisman. “A Covid tem algo muito específico, como a forma que ela te acomete e a velocidade. E por isso, o número de acometidos também aumentou. Mas todo profissional fisioterapeuta está habilitado para efetuar estes tratamentos”, conclui Lemos. 


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