Bolsonaro diz ser favorável à compra de vacinas por empresas privadas

Bolsonaro diz ser favorável à compra de vacinas por empresas privadas

Governo assinou carta de intenções favorável para 33 milhões de doses do imunizante de Oxford do Reino Unido, com repasse para o SUS

Correio do Povo e AE

Compra pela iniciativa privada levantou questionamentos entre parte do empresariado se a medida não representaria "furar a fila" de vacinação

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O presidente Jair Bolsonaro expressou na manhã desta terça-feira apoio à compra pelo setor privado de doses de vacinas contra a Covid-19, caso haja repasse de parcela para o Sistema Único de Saúde (SUS). A afirmação foi dada durante sua participação no evento Latin America Investment Conference, promovido pelo banco Credit Suisse. "O governo é favorável a esse grupo de empresários trazer vacina a custo zero pro governo", afirmou o chefe de Estado. Também participante do encontro com investidores, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reforçou a necessidade de contrapartida.

“Uma vez andando vacinação, deixa o setor privado entrar”, disse o ministro. “Mas não pode ser o rico tomando vacina e azar do povo, não é assim. Entrega uma vacina para o SUS e deixamos você vacinar um funcionário seu”, completou.

Segundo uma carta que circulou entre líderes de associações de diferentes setores, existiria um lote de 33 milhões de vacinas da Oxford/AstraZeneca disponível para compra, da Inglaterra, com a obrigação de aquisição de pelo menos 11 milhões de doses de uma só vez. A compra pela iniciativa privada, e não pelo governo, levantou questionamentos entre parte do empresariado se a medida não representaria "furar a fila" de vacinação no País. Por enquanto, apenas grupos prioritários, como idosos e profissionais da saúde, receberam doses do imunizante.

"Semana passada nós fomos procurados por um representante de empresários e nós assinamos carta de intenções favorável a isso, para que 33 milhões de doses da Oxford viessem do Reino Unido para o Brasil a custo zero para o governo. E metade dessas doses, 16,5 milhões, entrariam aqui para o SUS e estariam então no programa nacional de imunização, seguindo aqueles critérios. E outros 16,5 milhões ficariam com esses empresários para que fossem vacinados, então, os seus empregados, para que a economia não parasse", afirmou Bolsonaro.

Há também dificuldade de governos ao redor do mundo em conseguir comprar mais doses das vacinas já aprovadas por autoridades de saúde. No Brasil, o Ministério da Saúde ainda aguarda a chegada de insumos da China para iniciar a produção da Coronavac, pelo Instituto Butantan, e da vacina de Oxford, pela Fundação Oswaldo Cruz. 

A declaração de Bolsonaro também significa uma mudança de postura do governo em relação ao tema. Em reunião realizada há menos de duas semanas com os ministérios da Saúde, da Casa Civil e das Comunicações, empresas foram informadas de que o governo realizaria toda a imunização e de que não haveria necessidade de ajuda de empresários. À época, o governo disse que teria doses suficientes para vacinar a população e que a compra por empresas seria proibida.

'Tratamento precoce'

Após meses defendendo tratamentos sem eficácia comprovada contra Covid-19, Bolsonaro também admitiu não haver qualquer medicamento atestado para combater a doença. “O médico e o paciente têm que ser respeitados, é quem decide o tratamento precoce de uma pessoa infectada, já que não temos medicamento ainda comprovado cientificamente. O médico pode, na ponta da linha, decidir, em comum acordo com paciente, o que vai receitar”, afirmou aos investidores.

Ele ainda elogiou a posição do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre a independência dos médicos para prescrever remédios ao paciente. A entidade é alvo de críticas de especialistas por não proibir que os profissionais receitem medicamentos sem eficácia comprovada.

Recentemente, o Ministério Público Federal cobrou explicações do Ministério da Saúde e do CFM sobre o aplicativo TrateCOV, lançado pelo governo federal para orientar o enfrentamento da Covid-19. Como mostrou o Estadão, o aplicativo recomendava o uso de antibióticos e cloroquina, ivermectina e outros fármacos para náusea e diarreia ou para sintomas de uma ressaca, como fadiga e dor de cabeça. A prescrição era feita até mesmo para bebês. Após questionamentos, o aplicativo foi retirado do ar.

 

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