Bolsonaro questiona "pressa" para a vacina contra a Covid-19

Bolsonaro questiona "pressa" para a vacina contra a Covid-19

Em entrevista no YouTube, presidente disse que presos políticos foram tratados "com toda a dignidade" durante ditadura militar

AFP

Bolsonaro questionou ainda em diversas ocasiões as vacinas por seus possíveis efeitos colaterais

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O presidente Jair Bolsonaro questionou nesse sábado a "pressa" para acessar a vacina contra a Covid-19, em meio a críticas sobre seu plano de vacinação e apesar de o mundo enfrentar um surto que obrigou alguns países a retomar o confinamento.

"A pandemia realmente está chegando ao fim. Os números têm mostrado isso aí. Estamos com uma pequena ascensão agora, o que se chama de pequeno repique; pode acontecer. Mas pressa para a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas", disse o presidente em uma entrevista com seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, no YouTube.

Brasil, o segundo país com mais mortes pela Covid-19, atrás dos Estados Unidos, vive desde novembro um aumento de casos e mortes pelo coronavírus. Nesse sábado, o Brasil registrou 706 novos óbitos e ultrapassou 186 mil mortes por Covid-19, conforme divulgou o Ministério da Saúde.  

Bolsonaro questionou ainda em diversas ocasiões as vacinas por seus possíveis efeitos colaterais e a gravidade da pandemia, assim como se opõe ao confinamento por seus efeitos na economia.

Ditadura militar

Na mesma entrevista, Bolsonaro ainda disse que o ex-chefe de um centro de prisão e tortura do regime da Ditadura Militar no Brasil tratou os presos políticos "com toda a dignidade". "Não era preso político, não, (os) terroristas eram tratados no DOI-Codi (o centro de detenção da ditadura) de São Paulo, com toda a dignidade, inclusive as presas grávidas", afirmou. 

Bolsonaro referia-se ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe da repressão na metrópole no início dos anos 1970 e acusado de cerca de 70 mortes e desaparecimentos, segundo dados da Comissão Nacional da Verdade. O presidente reivindica a herança repressiva e chegou a lamentar que o número de mortos tenha se limitado aos 434 oficialmente reconhecidos.


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