Cadeirante é a primeira moradora a deixar Vila Nazaré por obras no Salgado Filho
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Cadeirante é a primeira moradora a deixar Vila Nazaré por obras no Salgado Filho

Alguns residentes do local foram transferidos nesta sexta para trabalhos de ampliação do aeroporto em Porto Alegre

Por
Cláudio Isaías

Vera Monteiro, de 68 anos, é uma das primeiras pessoas a deixar a Vila Nazaré

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As famílias que viviam na Vila Nazaré, no bairro Sarandi, na zona Norte de Porto Alegre, começaram a ser transferidas na manhã desta sexta-feira, devido à obra de ampliação da pista do Porto Alegre Airport - Aeroporto Internacional Salgado Filho. As primeiras pessoas que vivem no local foram levadas para o residencial Nosso Senhor do Bonfim, no bairro Sarandi, local não muito distante do aeroporto. Primeira moradora a deixar a região, a cadeirante Vera Regina Monteiro, 68 anos, estava muito emocionada com mudança para o novo endereço. 

"Vai melhorar em tudo, mas em tudo mesmo. Desculpa a emoção. Vai melhorar principalmente para mim porque a minha deficiência é mais psicológica do que física. Estão providenciando uma cadeira elétrica para mim e aí ninguém me segura. Vou pegar ônibus, vou passear, vou andar. O meu sorriso conquista tudo", disse. "É um dia muito especial na minha vida. Agora, quero começar a fazer compras para a casa nova", completou a moradora, que viveu 26 anos na Vila Nazaré. 

Vera recebeu de uma loja de Porto Alegre um vale compras no valor de R$ 2 mil para aquisição de eletrodomésticos. Ela agradeceu aos vizinhos e a equipe do Departamento Municipal de Habitação (Demhab) pelo apoio e carinho.

A remoção das famílias da Vila Nazaré vai permitir a ampliação da pista dos atuais 2.280 metros para 3.200 metros. A construção possibilitará a operação de aeronaves de maior porte, e deverá ocorrer até dezembro de 2021, segundo a previsão da Fraport Brasil, empresa responsável pela administração do aeroporto.  

Transferência em até 30 dias 

O superintendente do Demhab, Emerson Correa da Silva, disse que o processo de reassentamento começou com quatro primeiras pessoas com dificuldade de locomoção de um total de 128 famílias que escolheram suas unidades habitacionais. O contrato com 112 famílias foi assinado na quarta-feira e as mudanças deverão ocorrer no prazo de 25 a 30 dias.

Segundo Silva, para melhor atender às famílias carentes o departamento montou uma base com um contêiner em um terreno na entrada Vila Nazaré, no bairro Sarandi. O departamento coordenou a logística, enquanto a Fraport Brasil, que administra o aeroporto, forneceu o transporte para a mudança de todas as famílias. Um efetivo do 20º BPM acompanhou a operação. "As famílias enfrentam dificuldades quando chove, não tem água, esgoto e não tem luz condizente. Estamos falando de uma área irregular. Os moradores estão indo para um condomínio com toda a infraestrutura", destacou o superintendente do Demhab.

Os apartamentos do loteamento do bairro Sarandi serão ocupados por 364 famílias. O empreendimento habitacional Irmãos Maristas, no bairro Rubem Berta, está com 95% das obras concluídas. A expectativa é que, até o final do ano, todas as pessoas estejam realocadas.

Obras complementares nos loteamentos 

Na quarta-feira, um acordo entre a prefeitura de Porto Alegre e a Fraport Brasil permitiu a remoção das famílias que vivem na Vila Nazaré. A empresa assumirá as obras complementares nos dois empreendimentos Nosso Senhor do Bom Fim e Irmãos Maristas, para onde serão transferidas as 1.300 famílias. A realocação é necessária para viabilizar a ampliação da pista do aeroporto e os investimentos podem chegar a R$ 30 milhões.

No residencial Irmãos Maristas, serão concluídas às obras de infraestrutura, como redes de água, drenagem e ruas. Além disso, a Fraport ficará responsável pela reconstrução do cercamento do loteamento, que foi danificado, e pela construção de unidades comerciais nos dois condomínios.

Os prédios foram construídos pela Caixa Econômica Federal, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, em terrenos cedidos pela prefeitura. Segundo o Demhab, desde o ano passado as famílias estavam sendo cadastradas e orientadas para a realização dos trâmites burocráticos junto à Caixa Econômica Federal. 

 

*Com informações do repórter Gustavo Chagas