Carrefour se une a causas antirracistas após morte de cliente negro em Porto Alegre

Carrefour se une a causas antirracistas após morte de cliente negro em Porto Alegre

Empresa ressalta que a tragédia não condiz com seus valores

Christian Bueller

Caso ocorreu em novembro do ano passado

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Passados um pouco mais do que cinco meses da morte de João Alberto Silveira Freitas, o Beto, 40 anos, no estacionamento da loja do bairro Passo D'Areia, em Porto Alegre, o Carrefour busca enfrentar a rejeição e o "cancelamento" que a multinacional sofreu desde que o cliente, negro, foi espancado e morto por dois seguranças brancos no último 19 de novembro. 

Em uma live de cerca de quatro horas de duração, a empresa ressaltou que o ocorrido não condiz com os seus valores e que tomou uma série de providências para se juntar a causa antirracista. "O que aconteceu abalou nossa imagem, mas nos provocou um sentimento de indignação. Assumimos a responsabilidade, afastamos os responsáveis e reavaliamos o comportamento dos funcionários", afirmou o CEO do Grupo Carrefour Brasil, Noel Prioux. 

Segundo ele, o contrato com a empresa de segurança que fazia o serviço na ocasião foi rompido e que este trabalho, desde então, passou a ser integrado em toda a rede. A empresa divulgou o andamento de uma série de ações afirmativas contra o preconceito racial.

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Durante o evento, o Instituto Locomotiva apresentou uma pesquisa encomendada pelo Carrefour sobre a diversidade nas corporações brasileiras. O levantamento, realizado por telefone com 1630 entrevistados em 72 cidades do país no mês de abril, apontou que 76% dos brasileiros consideram que pessoas negras são discriminadas. Mais de 52% dos trabalhadores pretos e 26% dos negros (pardos incluídos) já sofreram preconceito no ambiente de trabalho.

Entre os trabalhadores negros, são 67% que já presenciaram essa discriminação. No salário, trabalhadores “não-negros” ganham, em média, 76% a mais do que os negros. Além disso, sete em cada dez pessoas negras já foram seguidas por seguranças em lojas.

O Ministério Público denunciou seis pessoas pelo crime, entre eles, Magno Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, que participaram efetivamente nas agressões que tiraram a vida de Beto. O MP sugeriu que os envolvidos sejam processados por homicídio triplamente qualificado com dolo eventual. As qualificadoras foram motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A perícia classificou como morte por asfixia.

Recentemente, o Supremo Tribunal Federal negou habeas corpus a Giovane Gaspar da Silva, que também era policial militar temporário. O caso gerou protestos em unidades do Carrefour em todo o Brasil.

Carrefour deposita indenização para a viúva de João Alberto

O Grupo Carrefour Brasil depositou nesta quarta-feira, deliberadamente, R$ 1 milhão para a viúva de João Alberto. O valor é a soma do patamar máximo por danos morais fixado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para casos como este e de um valor referente aos danos materiais, independentemente da comprovação que seria necessária em caso de litígio, e que geraria novos custos à viúva.

A empresa ainda depositou R$ 100 mil extras para gastos urgentes. Além do pagamento da indenização, o Carrefour já havia finalizado oito acordos com os demais familiares da vítima. 

Desde a morte de João Alberto, a empresa manteve assistência financeira e psicológica à disposição, incluindo uma assistente social e os gastos do dia a dia (supermercados, aluguéis, transportes, educação, entre outros).

Ressarcimento à sociedade

O Carrefour está negociando junto ao Ministério Público do Rio Grande do Sul e diversas outras autoridades uma indenização por danos morais coletivos, que acontecerá por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), estabelecendo compromissos e obrigações da empresa com a sociedade para a luta contra o racismo no país. O site Não Vamos Esquecer reúne todas as ações do Carrefour sobre a causa. 


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