Cartórios apontam 2020 como o ano mais mortal da história de Porto Alegre

Cartórios apontam 2020 como o ano mais mortal da história de Porto Alegre

No total, foram registradas 20.001 mortes no ano passado na Capital, com alta de óbitos nas residências

Correio do Povo

Os cartórios da capital gaúcha registraram 20.001 óbitos em 2021

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As mortes em decorrência do coronavírus transformaram 2020 como o ano mais mortal da história da cidade de Porto Alegre. Os cartórios da capital gaúcha registraram, no total, 20.001 óbitos no ano passado, segundo os dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). Em 2019, haviam sido 19.156.

A média anual de crescimento foi de 5,8% a mais que no ano anterior, superando a média histórica em Porto Alegre que era, até 2019, de 0,8% ao ano. De acordo com a entidade, desde o início da série histórica das Estatísticas Vitais de óbitos do Registro Civil nos municípios, em 2002, nunca morreram tantos moradores de Porto Alegre em um só ano.  

A pandemia trouxe também o reflexo em outras doenças que registraram aumento considerável na variação entre os anos de 2019 e 2020. Foi o caso das mortes causadas por doenças respiratórias, que cresceram 22,4% na comparação entre os anos, passando de 7.110 para 8.705. 

No Rio Grande do Sul, as doenças respiratórias cresceram 14,3% no mesmo período comparativo. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) registrou aumento de 331%. Em relação às doenças cardíacas, a comparação entre os dois anos mostrou um crescimento de 11,3% nas mortes por causas cardiovasculares inespecíficas.

Mortes em casa disparam

De acordo com os dados do levantamento, o número de mortes em domicílio disparou em Porto Alegre, quando se comparam os anos de 2019 e de 2020, registrando um aumento de 14,6%. Os registros de óbitos, feitos com base nos atestados assinados pelos médicos, apontaram que 56 moradores da Capital morreram de Covid-19 em suas casas, no ano passado. 

Os óbitos por causas respiratórias fora de hospitais cresceram 31,1%, sendo que as causas indeterminadas registraram a maior variação, 50%. Também aumentaram os óbitos por septicemia (47,6%) e pneumonia (1,7%). As mortes por causas cardíacas fora de hospitais também cresceram em 2020, com registro de aumento de 1,1% na comparação com o ano anterior. Neste tipo de doença, o maior aumento se deu nas chamadas causas cardiovasculares inespecíficas (9,2%). 

Nível estadual 

Já no RS, os óbitos em domicílio cresceram 14,4% no mesmo período comparativo, aumentando em 20,8% as mortes por doenças respiratórias, como SRAG (150%) e septicemia (18,3%). De acordo com os atestados médicos, 582 gaúchos morreram de Covid-19 em suas casas. 

No Estado, os óbitos por causas cardíacas fora de hospitais tiveram alta de 15,4% em 2020, com aumento de causas cardiovasculares inespecíficas (24,6%), AVC (19,8%) e Infarto (4,7%).

Número de óbitos pode aumentar 

O número de óbitos registrados em 2020 pode aumentar ainda mais, assim como a variação da média anual, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência. Além disso, alguns Estados brasileiros expandiram o prazo legal para registro de óbito em razão da situação de emergência causada pela Covid-19.


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