Chuva interrompe parte das ações contra a dengue em Porto Alegre

Chuva interrompe parte das ações contra a dengue em Porto Alegre

334 casos da doença já foram confirmados na capital gaúcha

Felipe Nabinger

Prefeitura reforçou os trabalhos para combater focos do Aedes aegypti

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Com 334 casos confirmados de dengue, a prefeitura de Porto Alegre reforçou os trabalhos para combater focos do Aedes aegypti. No entanto, as ações de agentes de combate a endemias, que atuam no controle ambiental para reduzir o risco de transmissão do vírus da dengue, foram interrompidos parcialmente pela chuva na manhã desta quarta-feira. Conforme cronograma da prefeitura, os trabalhos seriam realizados no Partenon, nas imediações da avenida Cristiano Fischer e das ruas Ivo Janson e Ceres, e na Cavalhada, nos arredores da avenida Nelson Pulgatti e da rua Dr. Mário Totta. Conforme o coordenador da Unidade de Vigilância Ambiental da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS), Alex Lamas, ações como o controle mecânico dos criadouros de larvas do Aedes aegypti e de bloqueio químico são prejudicadas com a chuva e por isso foram suspensas no período da manhã. 

“Temos várias frentes de trabalho. Uma é a informação à população que fazemos diariamente, outro o controle mecânico dos criadouros, a ação de bloqueio químico, essas duas muito prejudicadas pela chuva, e as ações fiscais pelas denúncias pelo 156. O combate a dengue segue”, afirma Lamas, enfatizando que as fiscalizações seguem sendo feitas. Em uma das áreas, a do Partenon, na rua Ceres, a reportagem encontrou concentração de lixo e pneus com água parada, contando larvas de insetos. Naquele perímetro, já foram confirmados cinco casos de dengue. “É uma das áreas de principal atenção como Jardim Carvalho, Vila Nova e Ipanema. Já notificamos proprietários que realizem a limpeza interna. Verificamos terrenos baldios com muito lixo, matéria plástica e pneus”, garante o coordenador.

No local há uma concentração de pessoas que trabalham com reciclagem. “Algumas pessoas trabalham com coleta de lixo e o dispõem de forma inadequada. Aí ficam garrafas PET, potinhos de sorvete e latas expostas à chuva. Por isso o trabalho é continuado. Passando a chuva a gente volta à região”, garantiu Lamas. Para esta quinta-feira estão previstos trabalhos de campo nos bairros Ipanema, próximo à rua Tito Marques e rua Conselheiro Xavier da Costa, e Bom Jesus, próximo à Nossa Senhora de Fátima e José Volkmer. Em caso de chuva, o cronograma será novamente interrompido.  

População precisa auxiliar

Morador de um condomínio de prédios na rua Ivo Janson, na continuação da área onde se concentra o lixo, o engenheiro aposentado Ricardo Donatto, 67, diz que sempre houve descarte de lixo nas proximidades e que vários carrinhos descarregam ali. Ele diz que há o recolhimento constante por parte da prefeitura, mesmo assim o lixo concentra insetos. Morador do térreo, Donatto garante fazer sua parte. “Na sacada temos várias plantas. Cuidamos para a água não ficar parada. Não queremos correr o risco de pegar esse troço. Já não basta a Covid-19”, afirma. 

“Há um trabalho de vínculo e de conscientização da população que é muito importante”, reforça Lamas, pedindo para que a população atente aos focos do mosquito e que realize denúncias por meio do canal do 156. Além disso, ele ressalta a necessidade da população atender aos agentes em suas casas. “Esse acesso é importante tanto nos domicílios de luxo quanto nos mais simples. A comunidade está toda envolvida pois o mosquito pode voar cem, duzentos metros”.

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Primeira morte no RS

Na última semana, o governo do Estado confirmou por meio da Secretaria Estadual de Saúde, (SES), a primeira morte a primeira morte por dengue no Rio Grande do Sul em 2022. Uma mulher de 76 anos, residente de Chapada, município do norte do Estado, ocorreu em 9 de março, seis dias após ela iniciar com sintomas de febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor muscular, dor nas articulações e náuseas. A paciente tinha hipertensão arterial sistêmica e doença pulmonar obstrutiva. Em 2021, foram 11 óbitos confirmados por dengue no RS, contra seis no ano anterior.

Mosquito em 87% do Estado

O Rio Grande do Sul registrou a infestação do mosquito da dengue em 433 municípios, número que equivale a 87% das cidades gaúchas. São 840 casos confirmados da doença, sendo 753 autóctones (contraídos no próprio Estado). O alto número de casos e a proliferação do inseto levam a SES a reforçar junto a população as medidas de prevenção. A principal ação é a eliminação de locais com água parada, que servem de pontos para o desenvolvimento das larvas do mosquito. A incidência do Aedes aegypti acontece em maior volume nesta época do ano, que alia temperaturas altas com chuvas mais recorrentes. 

Orientações para combater focos do mosquito:
- Manter caixa d’água, tonéis ou latões, que estejam expostos à chuva, tampados;
- Guardar pneus velhos sob abrigos;
- Não acumular água em vasos de plantas;
- Manter ralos, canos, calhas, toldos e marquises desentupidos;
- Descartar embalagens de vidro, plástico ou lata em lixeira fechada;
- Manter a piscina tratada o ano inteiro


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