Ciclone Haishen força suspensão de buscas por sobreviventes de naufrágio perto do Japão

Ciclone Haishen força suspensão de buscas por sobreviventes de naufrágio perto do Japão

Da tripulação, composta por 43 pessoas, foram resgatados um sobrevivente e o cadáver de um marinheiro afogado

AFP

Ciclone Haishen deve atingir o Japão no final do dia deste sábado, com ventos de 290 km/h

publicidade

As autoridades japonesas suspenderam, neste sábado, as buscas por dezenas de marinheiros desaparecidos após o naufrágio de sua embarcação, em razão da aproximação do ciclone Haishen, que provocou fortes ondas e condições meteorológicas hostis que tornaram impossível seguir adiante com as operações.

A Guarda Costeira japonesa resgatou um segundo sobrevivente na sexta-feira depois que o navio Gulf Livestock 1 - com 43 tripulantes e carregando cerca de 6.000 vacas - lançou um pedido de socorro na quarta-feira perto da ilha Amami Oshima, atingida pelo ciclone Maysak.

"Retomamos as operações de busca esta manhã usando um avião", disse um oficial da Guarda Costeira. "Mas, devido às fortes ondas, não podemos enviar barcos para lá", acrescentou, apontando que não tinha ideia do paradeiro dos tripulantes desaparecidos.

Ainda mais potente, o ciclone Haishen deve atingir o Japão no final do dia deste sábado, com ventos de 290 km/h, transformando-se em uma tempestade "violenta", no ponto mais alto da escala climática japonesa. "Decidimos suspender toda a nossa operação" até que o ciclone passe, disse o chefe da Guarda Costeira à AFP.

Um primeiro sobrevivente foi resgatado na tarde de quarta-feira, enquanto o cadáver de um marinheiro afogado foi recuperado na sexta-feira. A tripulação era composta por 39 filipinos, dois neozelandeses e dois australianos. O navio, que já havia experimentado problemas de motor, navegava de Napier, na Nova Zelândia, para o porto chinês de Tangshan.

O ciclone Haishen se encontra atualmente perto de Okinawa, sul do Japão, e deve se dirigir para Kyushu (oeste), onde chegará no domingo à noite. O governo pediu que a população se mantenha vigilante. Cerca de 1.300 moradores da ilha Minamidaitojima, a leste de Okinawa, foram chamados a deixar suas casas. 

"Pedimos a todos os moradores da ilha que se coloquem em alerta máximo porque os ventos estão cada vez mais fortes", alertou Hidehito Iha, uma autoridade do governo local. As imagens transmitidas pela televisão mostravam dezenas de pessoas sendo evacuadas por soldados a bordo de um helicóptero militar do Aeroporto de Kagoshima, na ilha de Kyushu.

A fabricante Toyota anunciou a interrupção de suas atividades até segunda-feira em pelo menos três fábricas em Kyushu, enquanto as empresas Canon e Mitsubishi Electric estudam medidas semelhantes. Quase uma centena de voos foram suspensos, de acordo com a televisão pública NHK, e os trens de alta velocidade, os Shinkansen, poderiam ser interrompidos na segunda-feira no oeste do arquipélago.

"Corremos o risco de quebrar recordes de ventos, chuvas torrenciais e tempestades", disse Yoshihisa Nakamoto, chefe da agência meteorológica, em uma coletiva de imprensa, pedindo evacuações rápidas e "máxima cautela".

Yuhei Takamura, um funcionário do governo, disse na conferência: "Vai haver um desastre. Não há dúvida sobre isso".

Satoshi Sugimoto, outro chefe da agência meteorológica, alertou que um tufão de tal magnitude pode gerar ondas tão poderosas quanto um tsunami.


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895