Cidades gaúchas com geração própria de energia são blindadas contra apagão

Cidades gaúchas com geração própria de energia são blindadas contra apagão

Ijuí e Carazinho são exemplos de municípios que investem em sistemas próprios

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Moradores de cidades do Brasil que possuem geração e abastecimento próprio de energia elétrica passaram praticamente ilesas ao apagão que durante seis horas deixou cerca de 18 Estados do país e o Paraguai às escuras na última terça-feira. O Banco de Informações de Geração (BIG) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), espécie de relatório sobre toda a geração de energia elétrica no país, aponta que existem apenas duas prefeituras no Brasil que possuem departamentos municipais de energia. Trata-se de Ijuí (RS) e de Poços de Caldas (MG). Elas possuem as chamadas PCH's (pequenas centrais hidrelétricas), mini-hidrelétricas que aproveitam a força das águas de rios para gerar a energia que consomem.

Em todo o Brasil existem 352 PCH´s, que somadas geram 2,73% de tudo que é produzido. A maior parte delas abastece empresas e serviços públicos, como o porto de Santos. O BIG mostra que 71,04% da energia elétrica gerada no país saem das 163 usinas hidrelétricas.

Diferentemente dos milhões de moradores de São Paulo que viveram momentos de terror - principalmente os que ficaram presos em elevadores - os habitantes de Ijuí só ficaram sabendo do que ocorreu pela imprensa. Na cidade, não houve interrupção de energia sequer um minuto. O mesmo ocorreu em Poços de Caldas.

O Departamento Municipal de Energia (Demei) de Ijuí atende 24 mil consumidores da cidade, segundo o engenheiro Fernando Antonio Lucchese, responsável pelo setor de geração. O número representa 20% de tudo o que é consumido. São duas as PCH's instaladas na cidade, a usina Velha e a usina do Passo do Ajuricaba. A usina Velha é a mais antiga do Rio Grande do Sul, segundo a Prefeitura de Ijuí. Sua primeira versão foi instalada em 1923 aproveitando a força das águas do rio Potiribu e depois foi sendo ampliada em tamanho e carga. Na década de 1960, ela era responsável pelo abastecimento de 80% de toda ligação elétrica residencial na cidade.

Lucchese explica que os investimentos não acompanharam o crescimento da cidade, o que provocou uma defasagem entre o que era atendido anteriormente e o que é hoje. O engenheiro explica que a grande vantagem de se ter uma PCH's é poder direcionar toda a produção para atender serviços essenciais em casos extremos – um apagão que dure dias, por exemplo.

Poços de Caldas é a única prefeitura brasileira que possui um departamento municipal de eletricidade que atende 100% de toda a demanda. O DME (Departamento Municipal de Eletricidade) gera e distribui energia para 59.406 unidades de consumo (casas, fábricas, lojas ou outros pontos que recebem energia são chamados de unidade de consumo), o que corresponde a 144.386 habitantes com luz em casa. Outras 20.555 lâmpadas da iluminação pública também são energizadas pelo DME.

A primeira PCH de Poços de Caldas foi instalada na cidade em 1954. O atual sistema de geração e distribuição de energia elétrica foi planejado por dois ex-diretores do DME, em 1970. Contrário à privatização do setor elétrico iniciada na década de 1990, o DME não vendeu as suas PCH's para grandes concessionárias de energia.

No decorrer dos anos o sistema cresceu, outras pequenas centrais hidrelétricas foram instaladas e o DME virou parceiro em grandes projetos -usinas hidrelétricas- com empresas do porte de Camargo Corrêa, CPFL, Votorantim e Alcoa.

O assessor técnico do DME, engenheiro Alexandre Afonso Postal, afirma que é impossível garantir que Poços de Caldas não é vulnerável a “apagões próprios” provocados por problemas de abastecimento. Entretanto, afirma que, em caso de um problema nacional grave, os moradores não ficarão no escuro, o que aconteceu na última terça-feira.

Sociedade

Além e Ijuí e Poços de Caldas, outras cidades investem em sistemas próprios de geração e distribuição de energia elétrica. Em vez de manter uma empresa, muitas prefeituras investem dinheiro para serem sócias (majoritárias ou não) de negócios no setor. É o caso de Carazinho, também no Estado, que detém 90% do capital da Centrais Elétricas Carazinho (Eletrocar).

A hoje Sociedade Anônima nasceu Serviços Carazinhenses de Energia Elétrica e Industrial por um decreto do prefeito Ernesto Keller Filho, em 1964. Atualmente, o poder público é sócio majoritário - detém 94% do controle acionário - e atende 20% de tudo que é consumido por seis cidades da região.

O gerente técnico da Eletrocar, Cláudio Joel de Quadros, explica que são atendidos cerca de 6.000 consumidores nas seis cidades. A maior parte, 4.500, está em Carazinho. Também nessa cidade os moradores não tiveram o fornecimento de energia elétrica interrompido.

Com informações do R7.

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