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Com aumento, lotações temem perder passageiros para transporte por aplicativos

Preço da tarifa passou de R$ 6 para R$ 6,60 nesta quarta-feira

Por
Cláudio Isaías

Nova tarifa pode fazer com que lotações percam passageiros para transporte por aplicativos

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Com o aumento do valor da passagem dos lotações para R$ 6,60, os permissionários das empresas de Porto Alegre temem uma queda no número de passageiros. O gerente-executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação de Porto Alegre (ATL), Rogério Lago, revelou que teme que o serviço perca espaço para o transporte por aplicativos. “Estamos perdendo usuários para os aplicativos. Não somos concorrentes dos ônibus até porque os passageiros dos dois serviços são distintos. O nosso receio é que os clientes do lotação acabem por optar pelos aplicativos”, destacou. 

Ele disse que enviou um pedido para a Prefeitura para que o índice mínimo fosse fixado entre 1,2 e 1,5, ao invés dos percentuais de 1,4 e 1,5 acima do preço do ônibus, o que não foi atendido pelo Município. A entidade chegou a pedir que o preço da passagem dos lotações ficasse congelado em R$ 6, o que também não foi autorizado. Porto Alegre conta com 429 veículos que atendem 95% dos bairros da Capital – 391 lotações distribuídas em 31 linhas e 38 automóveis na categoria especial nas linhas Restinga e Belém Novo. Cada micro-ônibus transporta 21 passageiros sentados e 25 nas linhas especiais.

Já a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), afirma que a diferença de tarifa entre ônibus e lotação, que vai de 1,4 a 1,5 vezes, é essencial para a sobrevivência do sistema de transporte coletivo. A entidade enfatiza que, diferente de outros meios, o ônibus cumpre um papel social, transportando passageiros isentos da tarifa. “São os passageiros pagantes que sustentam esse modelo social. Se essas pessoas migrarem para outro meio, o sistema por ônibus, que já vem perdendo usuários pelo surgimento dos transportes por aplicativo, estará fadado à falência gradual”, avalia o diretor executivo da ATP, Gustavo Simionovschi. 

O diretor também recorda que a regra em relação ao valor faz parte do contrato de licitação do serviço, que está em desequilíbrio com a queda contínua no número de usuários. “O prejuízo passa dos R$ 140 milhões”, revela. Os argumentos ditos por ele foram base da nota oficial da Prefeitura, em que confirmou o reajuste das lotações.

Em meio à queda de passageiros, ATP sugere outras fontes de custeio da passagem

Além dos aplicativos, outros fatores como o desemprego e a falta de políticas que priorizem o coletivo, estão entre os motivos que contribuem para a perda de passageiros. “Em 2008 nós transportávamos uma média de 20 milhões de usuários pagantes por mês. Em 2018 esse número caiu para 14 milhões. Então, estamos com grandes dificuldades, assim como os transportadores por lotação. Mas, diminuir a diferença de valor entre os dois meios, não vai resolver o problema e ainda irá acentuar a crise no sistema estruturante de transporte da Capital”, destaca Simionovschi, que também entende ser fundamental reduzir a tarifa para a atratividade do serviço. 

Como medidas, ele sugere encontrar outras fontes de custeio para as isenções, dar agilidade ao ônibus com mais faixas exclusivas e desonerar o transporte coletivo retirando impostos. O diretor executivo da ATP explicou que o coletivo e o seletivo são transportes com perfis diferentes, mas que compõem a mobilidade da cidade, e como meios regulamentados e altamente regrados, devem atuar juntos e não como concorrentes.