Concluída retirada da estátua do Laçador para restauração, em Porto Alegre

Concluída retirada da estátua do Laçador para restauração, em Porto Alegre

Monumento apresentava fissuras e rachaduras que foram constatadas em 2016

Felipe Samuel

Restauração pode levar entre 4 e 5 meses

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Patrimônio histórico de Porto Alegre desde 2001, a estátua do Laçador foi retirada nesta terça-feira para o início das obras de revitalização. Nem mesmo a chuva que caiu durante a tarde impediu a presença de um grupo de cavalarianos, que acompanhou desde a remoção da estrutura de 4 toneladas até o translado do monumento a um hangar localizado na Zona Norte. O Laçador foi retirado com auxílio de uma grua e colocado na horizontal em um caminhão para transporte.

Considerada um dos maiores símbolos da cultura no Rio Grande do Sul, a estátua apresentava fissuras e rachaduras que foram constatadas em 2016. Com início do projeto de restauração e manutenção, realizado pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) e Associação Sul Riograndense da Construção Civil - além de contar com a Prefeitura dá como co-realizadora -, a expectativa é de que em quatro meses as obras estejam concluídas.

O coordenador do Projeto Construção Cultural – Resgate do Patrimônio Histórico, Zalmir Chwartzmann, explica que foi preciso montar 'uma operação de guerra' para a remoção da estrutura, que foi criada pelo escultor Antônio Caringi e inspirada no folclorista Paixão Côrtes. "A importância que tem esse monumento, não só para a cidade, mas para o Estado, faz com que realmente a gente tenha uma preocupação super importante. Tem muita coisa, principalmente da parte que ele estava preso no concreto, que a gente não conhecia, e teve que fazer uma investigação", destaca Chwartzmann, que integra a diretoria do Sinduscon.

A projeção inicial era entregar o monumento revitalizado até o Natal, mas Chwartzmann acredita que o trabalho pode levar até 4,5 meses. Apesar da discussão em torno da mudança de local da estátua, ele afirma que a estrutura precisa ficar em local adequado. E critica a presença de carros de aplicativos no entorno. "Do jeito que está não é digno de um monumento como este. Ele tem que estar em um lugar digno, se não for aqui, tem que ser em outro lugar", observa.

"Presente para Porto Alegre"

Antonella Caringi de Aquino, neta mais velha do escultor, acompanhou todo processo de retirada do monumento. E não escondia a alegria pela revitalização da obra do avô. "Vai ser um presente para Porto Alegre, inclusive um resgate da memória do artista. Isso que eu venho trabalhando, resgatar a memória do artista e toda essa ligação que ele tem com o Estado através das obras regionalistas. Acredito que vai voltar de cara nova", afirma. "É uma coisa muito impactante, fico pensando como seria a inauguração de cada monumento, nos momentos que Caringi estaria vivo, fazendo a inauguração dos seus monumentos", completa.

Sobre a discussão sobre o local em que a estátua deve ser recolocada, Antonella afirma que o monumento deve ser colocado no mesmo lugar de onde foi retirado 'revigorado'. "Sou da opinião que não se deve trocar obras de arte do lugar", ressalta. E cita uma frase de Caringi. "O artista não deve criar a sua obra para o seu interior. O artista, o escultor, precisa colocar na sua obra a contemplação pública", complementou. 

O projeto é realizado pelo Sinduscon e pela Associação Sul Riograndense da Construção Civil, além de contar com a prefeitura como co- realizadora. O custo total de realização da obra é de R$ 900 mil, sendo R$ 810 mil captados através da Lei de Incentivo à Cultura, do Governo do Estado, e R$ 90 mil de aporte da Prefeitura de Porto Alegre. A revitalização conta ainda com o patrocínio da Gerdau e Sulgás e apoio da JOG Andaimes, Elevato e Ministério Público do Rio Grande do Sul.

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