Considerando medidas ainda insuficientes, comércio volta a abrir nesta quarta em Porto Alegre

Considerando medidas ainda insuficientes, comércio volta a abrir nesta quarta em Porto Alegre

Lojas e serviços poderão funcionar das 10h e 17h, conforme decreto 20.683

Gabriel Guedes

Comércio de Porto Alegre está livre para voltar a funcionar nesta quarta-feira

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Com a publicação do decreto 20.683 pela Prefeitura, o comércio de Porto Alegre está livre para voltar a funcionar nesta quarta-feira, das 10h às 17h, exceto aqueles permitidos ou essenciais, que estão dispensados de seguir esta regra. No entanto, livre não é bem a palavra certa para o momento. Ainda que seja um avanço, nesta terça-feira, enquanto preparavam os estabelecimentos para a reabertura na rua e em shoppings, o setor demonstrava descontentamento com o teor da flexibilização anunciada. 

Entidades reclamam que as medidas, inclusive, estariam ainda mais rígidas que as apontadas pelo Distanciamento Social, do Governo do Estado. Para quem vai abrir, a quarta-feira será um alento, mas ainda assim, distante do ideal. “Um é melhor que zero, cinco é melhor que quatro”, compara o proprietário de uma rede de lojas de bazar e utilidades, Wagner Amorim.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Porto Alegre afirma que as determinações que constam no decreto não contemplam a principal solicitação das lideranças, apresentada no último encontro virtual, realizado na sexta-feira com o Município: a equiparação ao decreto estadual.

“No mínimo, precisamos estar equiparados ao decreto do Estado. A normativa municipal possibilita a liberação de todas as atividades do comércio, mas restringe o funcionamento a três dias da semana, exclui os sábados e não contempla o atendimento por delivery e take away. Além disso, também temos um tempo de vigência do decreto muito encurtado e que restringe a previsibilidade dos negócios. Não é possível viabilizar uma operação comercial pensando em apenas uma semana”, explica o presidente da entidade, Irio Piva.

Flexibilidade

Da mesma forma, o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), emitiu um posicionamento, considerando a solução como um paliativo, já que se trata de uma permissão temporária e de curta vigência. “A Entidade segue negociando com os governos municipal e estadual em busca de maior flexibilidade de dias e horários para as atividades, assim como para um tempo de vigência mais longo, medida importante tanto para o aquecimento da economia quanto para diminuir o fluxo de consumidores e filas nas lojas”, manifestaram.

Os comerciantes compararam as medidas ao novo decreto estadual publicado na noite desta segunda-feira, que permite ao comércio o atendimento presencial em até quatro dias por semana, sem especificidades – o que inclui os sábados. Também, autoriza a abertura durante 7 horas por dia, entre 9h e 17h, assim como libera de forma irrestrita os serviços de telentrega e pegue e leve ao setor varejista.

Amorim, que é dono da Casa Maria, rede tem 31 lojas no estado e 8 apenas em Porto Alegre, até 31 de julho, em 129 dias de pandemia, ele confirma ter aberto só 32 dias. “A gente, só nos cabe aceitar e cumprir os decretos. E não temos outras opções. Estamos fechando três lojas em Porto Alegre. Infelizmente não estamos suportando mais”, lamenta o empresário.

Outra preocupação para ele, é que com a paralisia das atividades comerciais, é que sociedade sofra um caos motivado pela falta de trabalho e renda. “A gente espera que os nossos gestores saibam de nosso caos social. É questão de tempo para chegarmos na miséria extrema”, afirma.

Mas a abertura nos moldes propostos, além de ser insuficiente para manter o negócio saudável, para Amorim é um risco para a saúde de todos. “A gente tinha 420 funcionários e agora, com 270, só quatro contraíram o vírus. Porque a gente a segue bem os protocolos e eles funcionam. Mas com menos horários, haverá mais aglomeração”, acredita.

 


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