Covid-19 faz animais permanecerem mais tempo distante de seus donos
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Covid-19 faz animais permanecerem mais tempo distante de seus donos

Conselho Regional de Medicina Veterinária alerta para boatos sobre contaminações de animais domésticos pelo vírus

Por
Gabriel Guedes

Adriana é pet sitter há 12 anos e já observa mudanças em seu negócio a partir da pandemia do novo coronavírus

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Animais de estimação que antes permaneciam somente um dia em hospedagens especializadas e pet sitters, agora estão passando mais dias distantes de seus donos. Se não bastasse, alguns cães, por exemplo, estão sem ver seus donos há semanas, justamente porque alguns deles não conseguiram retornar à Porto Alegre antes da crise do novo coronavírus. O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) recomenda pessoas acometidas por qualquer doença infecciosa – não apenas a Covid-19 – diminuam o contato com animais. No entanto, o órgão deixa claro que reduzir o contato não significa tirar os animais de casa ou se afastar das funções de tutor. Mesmo assim, em um destes estabelecimentos, na zona Norte, praticamente todos os cães hospedados estão relacionados a cuidados relativos à doença.

Pet sitter há 12 anos, Adriane Soares de Almeida, 48 anos, conta que um dos animais que ela cuida, deveria ter deixado a hospedagem no dia 1º, e agora segue sem data para sair. “Os donos estão em um sítio, no interior da Bahia, mas não conseguiram chegar a Salvador e pegar um voo de volta”, acrescenta. É um lhasa apso, que entrou no dia 1º de março. Um golden retriever, um sem raça definida (SRD) e um beagle, que estão desde o dia 23 de janeiro, para que os donos pudessem viajar em férias, também seguem na mesma situação, também ocasionada pelo Covid-19. “Eles começam a sentir falta dos donos, ficando até mais cabisbaixos”, acredita.

Outra situação relacionada, é a dificuldade, em particular para as pessoas com idades acima dos 60 anos, de sair de casa para levar os bichos para passear, por exemplo. Outras, obedecendo o isolamento social, mas sem querer sacrificar o bem-estar animal, também acabam optando por deixá-los sob os cuidados de uma pet sitter. “Tem uns que ficam uma semana aqui e outra em casa. Migrou muito, do serviço diário para mais dias. Agora ficam aqui mais dias para reduzir as saídas de casa”, relata Adriana, que tem atualmente nove cães sobre seus cuidados, além de outros cinco que são seus. “Normalmente ele passa de três a quatro dias por semana lá. Dia, sim; dia, não. Agora, devido ao coronavírus, estamos fazendo isolamento desde o dia 16 de março. E ele está ficando uma semana direto lá e outra semana direto aqui”, explica a dona do Brutus, um Yorkshire da professora Lia Hallwass e do representante comercial Ismael Botega, ambos com 37 anos, moradores do bairro Medianeira, na Capital. “Como não podemos ir e voltar toda hora, no sábado ou domingo quando vamos ao mercado e aproveitamos pra levá-lo ou buscá-lo. Apesar da saudade dele durante a semana que ele fica lá, continuamos achando importante ele ficar na creche, pegar sol, estar com os ‘colegas’ e brincar na terra”, justifica.

Apesar de muitas das precauções das pessoas com os animais domésticos serem consequências do isolamento social e restrições em seus deslocamentos, a pandemia de coronavírus tem causado muitas dúvidas na população em relação ao contágio entre humanos e animais. Notícias de animais em zoológico que testaram positivo para o SARS-CoV2 - o vírus responsável por desencadear a Covid-19 -, assim como relatos de suposta contaminação de alguns animais de companhia, têm surgido com frequência nas últimas semanas, conforme nota do CRMV-RS. “É importante lembrar que os casos de animais positivos para o SARS-CoV2 e que envolvem principalmente felídeos (grupo que inclui gatos domésticos e seus “parentes” silvestres, como jaguatiricas, onças, tigres e leões) ainda estão baseados em poucos testes experimentais”, esclarece o conselho. “ Desta forma, sua capacidade de disseminação (do vírus) entre espécies diferentes não pode ser descartada, porém, deve ser tratada com cautela para evitar divulgação de informações equivocadas”, entende o conselho que agrega os médicos veterinários. “Sinto um pouco de medo, pois já ouvimos falar até de hostilidade em relação aos cães - por causa das notícias de que eles poderiam transmitir o vírus”, confessa a dona do Brutus. Sobre este temor, o CRMV-RS deixa claro em seu comunicado: “O momento exige cautela e atualização constante das informações com base em fontes científicas, e também que todos nós reforcemos o compromisso com a guarda responsável e contra o abandono de animais”.