CPI deve seguir "rota do dinheiro" em decisões na pandemia

CPI deve seguir "rota do dinheiro" em decisões na pandemia

Grandes farmacêuticas prestarão informações sobre a venda dos medicamentos do kit covid nos últimos cinco anos

R7

Senadores devem seguir a rota do dinheiro nas decisões na pandemia

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Os requerimentos aprovados no final da semana passada pela CPI da Covid e o não comparecimento à comissão do governador de Amazonas, Wilson Lima, com aval do Supremo Tribunal Federal (STF), indicam uma mudança de curso das investigações do colegiado. 

Nesta segunda fase, que nos bastidores já é chamada de "segunda temporada", os senadores devem seguir a rota do dinheiro, conhecida pela expressão em inglês como "follow the money", para apurar se houve benefício financeiro em decisões tomadas no combate à pandemia, tanto no estímulo ao tratamento precoce com uso de cloroquina e outros medicamentos que fazem parte do "kit covid", como nas negociações para a compra da Covaxin, representada no Brasil pela Precisa Medicamentos. Nesta fase os trabalhos ficarão mais focados em análise de documentos do que em depoimentos. 

A CPI aprovou pedidos de informações às farmacêuticas EMS, Cristália e Apsen especialmente sobre a comercialização de hidroxicolorquina e ivermectina. Também aprovou a convocação de Renato Spallicci, Presidente da Apsen.

A CPI solicitou ainda aos presidentes de dezenas de farmacêuticas informações sobre as vendas de produtos relacionados ao chamado "kit-covid. Pelos requerimentos aprovados, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que também preside o conselho de ministros da Câmara de Regulação de Medicamentos, o secretário executivo da Câmara, Romilson de Almeida Volotão, e o presidente da Anvisa Antonio Barra Torres, terão que prestar informações sobre vendas de produtos do "kit-covid" nos últimos cinco anos.

O ministro-chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, deve fornecer informações sobre a videoconferência realizada na Casa Civil com representantes da indústria farmacêutica. Em outro movimento, a CPI também deve se debruçar na negociação para as compras da Covaxin e para isso aprovou a transferência de sigilo telefônico e telemático de Túlio Silveira e de Francisco Emerson Maximiano, ambos da Precisa Medicamentos, representante da Bharat Biotech no Brasil, a indiana que produz a Covaxin. 

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A transferência de sigilo telefônico e telemático dá aos senadores acesso aos registros de conversas telefônicas, conversas por aplicativos de mensagens, históricos de pesquisas na internet e registros de locais visitados por meio de aplicativos de localização, como o Google Maps.

Entre os senadores do G7 já há a avaliação de que a primeira fase, em que depoimentos deixaram claros pontos sobre gabinete paralelo, estímulo ao tratamento precoce, atraso na compra de vacinas e na crise do oxigênio em Manaus já está encerrada. É esperada para esta segunda-feira uma reunião para ajustar o calendário, que acabou esvaziado em função da decisão desfavorável sobre a presença do governador do Amazonas.

A CPI, que iria focar nos depoimentos de governadores nos próximos dias, deve agora se dedicar à análise das novas informações que chegaram a partir dos requerimentos aprovados na semana passada e possivelmente alterar a agenda das presenças na comissão para seguir na nova linha de investigação. 


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