Crescimento de casos do coronavírus em Porto Alegre pode estar associado à nova cepa

Crescimento de casos do coronavírus em Porto Alegre pode estar associado à nova cepa

Capital opera taxa de ocupação em leitos de UTI acima de 90% desde o começo da semana

Felipe Samuel

Internações avançaram na última semana

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A rapidez da disseminação do novo coronavírus nos últimos dias gera preocupação à rede de saúde da Capital, que já opera próximo da capacidade máxima desde o início da semana com ocupação de leitos de UTIs com taxa superior a 90%. O crescimento exponencial da doença é atribuído pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) à velocidade do aumento de casos positivos - principalmente entre jovens - e à possibilidade de uma nova variante da Covid-19 já estar circulando na cidade.

O diretor de Atenção Hospitalar e Urgências da SMS, João Marcelo Lopes Fonseca explica que a possível circulação de uma nova cepa viral mais transmissível ao mesmo tempo em que a rede hospitalar registra ocupação máxima formam uma cenário preocupante para os próximos dias. "Os serviços hospitalares já vinham com sua capacidade ocupada, por conta inclusive daquelas demandas reprimidas de cirurgias, exames ou investigações que não se conseguiu levar ao cabo de 2020 por conta da restrição toda que vinha se tendo. As duas coisas juntas, tanto essa circulação viral com maior taxa de infecciosidade quanto a ocupação do sistema hospitalar nos dão perspectiva muito ruim para os próximos dias, uma perspectiva de risco", alerta.

Na avaliação de Fonseca, a rápida aceleração do número de casos relacionados à Covid-19 que demandam internação hospitalar e leitos de UTI segue pressionando o sistema de saúde. Em relação ao mês anterior, ele afirma que cresceram os casos de pacientes diagnosticados com a doença com “pouco menos de faixa etária”. “A gente está lidando com uma variante do vírus que possivelmente é mais transmissível, se transmite mais fácil de pessoa a pessoa pelo ar, pela fala do rosto desprovido de máscara. E acomete mais jovens”, afirma. Segundo Fonseca, há dúvidas se uma pessoa que teve Covid-19 não pode se reinfectar pela nova variante. "Isso é possível teoricamente. É necessário que todos, inclusive quem já teve a doença, quem já começou a vacinação e não atingiu tempo de imunidade, mantenha os cuidados máximos para que a gente possa passar por mais esse desafio".

Ele cita ainda os esforços da prefeitura para reabertura de leitos na mesma quantidade disponibilizada em agosto do ano passado, no auge da pandemia na Capital, a necessidade de suspender cirurgias eletivas para liberar mais leitos hospitalares e utilizar 'a estrutura de recursos humanos' para atendimento de pacientes com a doença. Fonseca garante ainda que a prefeitura avalia reorganizar a rede de saúde para agilizar a transferência de pacientes a hospitais referência no tratamento da doença. "Estamos com pacientes aguardando internação hospitalar, principalmente nos pronto-atendimentos, mas às vezes em hospitais de menor complexidade, aguardando transferência para hospital de maior complexidade, tanto de pacientes Covid-19 quanto não Covid-19", frisa.

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