Criado em 1953, orquidário da Redenção é demolido pela prefeitura

Criado em 1953, orquidário da Redenção é demolido pela prefeitura

Administração municipal alegou que local estava abandonado e sem manutenção

Cláudio Isaías

Orquidário da Redenção é demolido

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O Orquidário Gastão de Almeida Santos do Parque da Redenção não existe mais. Na semana passada, o espaço que abrigava diversas espécies de orquídeas foi demolido por determinação da prefeitura de Porto Alegre. A supervisora de Praças, Parques e Jardins da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams), Gabriela Azevedo Moura, informou que a demolição ocorreu porque já não vinha sendo feita a manutenção da área e que os integrantes do Conselho de Usuários do Parque Farroupilha foram comunicados da ação.

O local ficou parcialmente destruído pelo temporal que afetou Porto Alegre em janeiro de 2016. "Com a falta de manutenção, a área do orquidário vinha sendo utilizada por usuários de drogas, prostituição e casos de assédio sexual de quem passava por ali", destacou. A ideia da Smams é dar nova destinação ao local transformando-o em um espaço de convivência para os usuários do parque com a colocação de uma nova iluminação.



Segundo Gabriela Azevedo Moura, as orquídeas foram levadas para o viveiro municipal na Lomba do Pinheiro, na zona Leste da cidade. Uma parte do material do orquidário foi destinado para outros parques da cidade. A prefeitura realiza agora a retirada da caliça e depois pretende fechar a área até decidir que projeto será desenvolvido no antigo orquidário do Parque Farroupilha.

Roberto Jakubaszko, integrante do Conselho de Usuários do Parque Farroupilha, lamentou a demolição do prédio que existia na mais tradicional área de lazer de Porto Alegre. "A população de Porto Alegre foi pega de surpresa com ação dos tratores que derrubaram o prédio", lamentou. Jakubaszko afirmou que tanto a prefeitura de Porto Alegre quanto a Smams não informaram sobre a demolição da área. "Perdemos um patrimônio da cidade, ou seja, um espaço que os porto-alegrenses gostavam de visitar", ressaltou.

O conselheiro afirmou que o Parque da Redenção realizava três exposições de orquídeas por ano que chegavam a receber de 15 a 20 mil pessoas durante as duas semanas do evento. Jakubaszko disse que a cidade perde mais um espaço de lazer que era visitado pelas famílias e pelos estudantes. "A pergunta que faço a prefeitura é porque não manter o orquidário?. Que presente de Páscoa do prefeito Nelson Marchezan Júnior aos porto-alegrenses", destacou.

O Orquidário do Parque da Redenção foi inaugurado em 1953 e contava com servidores especializados em manejo de orquídeas que ao longo dos anos foram se aposentando. O local chegou a abrigar cerca de 4,5 mil mudas de 45 espécies de orquídeas. “O local, agora, não estava em uma situação legal. O espaço se transformou em um local frequentado por usuários de crack e por falta de manutenção ao longo dos anos estava muito deteriorado", acrescentou Gabriela Azevedo Moura.

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