“Curva não baixou ainda”, avalia secretário de enfrentamento à Covid-19

“Curva não baixou ainda”, avalia secretário de enfrentamento à Covid-19

Bruno Miragem vê com preocupação aumento crescente na demanda por leitos de UTI em Porto Alegre

Jessica Hübler

A taxa de ocupação geral era de 82,55%

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As internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) adulto na Capital relacionadas com a Covid-19, na tarde desta segunda-feira, representavam 43,26% do total, um aumento na proporção na comparação com a semana passada. Estavam internados 225 pacientes com o novo coronavírus e 35 suspeitos, além de outros 341 pacientes com outras enfermidades. A taxa de ocupação geral era de 82,55%. 

Os três locais com maior número de pacientes relacionados à Covid-19 eram: o Hospital de Clínicas, com 75 (71 confirmados e quatro suspeitos); o Hospital Nossa Senhora da Conceição, com 43 (todos confirmados) e o Complexo Hospitalar Santa Casa, com 42 (35 confirmados e sete suspeitos).  

Os casos confirmados da Covid-19 em leitos de UTI adulto na Capital cresceram 212,5% entre 13 de junho e 13 de julho, passando de 72 para 225. O secretário extraordinário de Enfrentamento do Coronavírus de Porto Alegre, Bruno Miragem, afirmou que é um crescimento preocupante e que agora ele ainda está refletindo nos números das primeiras restrições, não da última, “mais grave”. “Estamos fazendo um esforço de abertura de novos leitos, o problema é sempre a velocidade do crescimento da demanda em relação à disponibilização deles. A curva não baixou ainda, estamos muito esperançosos e confiantes de que essa semana a gente consiga fazer uma redução da curva e até uma tendência de achatamento da curva, que é pressuposto de trabalharmos com a ideia de flexibilização, ela vai estabilizar em outro patamar, será diferente o patamar inicial de abril e maio que era entre 40 e 50 leitos Covid e agora será em 200 leitos”, destacou.

Se a demanda por internações estabilizar, segundo Miragem, será possível pensar em um modelo de convivência com as atividades econômicas e a permanência do vírus, que estará entre nós nos próximos meses. Caso isso não aconteça, Miragem garantiu que a primeira consequência será a projeção no tempo das restrições que já estão estabelecidas, o que não é desejado por ninguém: “Não tem como, mantendo uma curva de elevação na velocidade que nós temos, imaginar que dessa maneira vamos voltar a uma situação de normalidade, não tem como isso acontecer”, garantiu.

Para que seja possível, no menor espaço de tempo conseguir avançar na liberação das restrições, Miragem reiterou que é preciso que haja adesão voluntária da população pelo isolamento social. “Se isso não ocorrer, não temos como estabelecer um modelo de convivência e outras restrições, eventualmente, podem ser adotadas.”

Infectologistas defendem medidas mais restritivas

Com relação ao sistema de saúde, a Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI) alerta para risco de colapso em algumas regiões do Estado, caso não haja maior rigor nas regras de distanciamento social para controlar a Covid-19. Conforme dados oficiais da SES, o Rio Grande do Sul atingiu mais de 39 mil casos da Covid-19 e quase mil pessoas perderam a vida. 

Em Porto Alegre, foram confirmados mais de 4,7 mil casos e pelo menos 165 pessoas já morreram devido a Covid-19. No último mês houve um crescimento de três vezes do número de casos confirmados e mortes, sendo que o total de óbitos por Covid-19 duplicou nas duas últimas semanas. 

“A epidemia está em crescimento acelerado no Rio Grande do Sul, determinando impacto na capacidade de atendimento hospitalar, particularmente em UTIs. A velocidade de propagação da epidemia gera demanda adicional ao sistema de saúde que já enfrentava sobrecarga prévia ao surgimento da epidemia, impactando na assistência a outras doenças. A diminuição de recursos humanos por adoecimento de profissionais de saúde é uma realidade e agrava ainda mais a situação dos hospitais”, consta na nota da SRGI. A entidade orienta que é preciso evitar exposições preveníveis à Covid-19.

“Entendemos que as medidas adotadas até o momento serão insuficientes para conter a pandemia que está evoluindo para um grave comprometimento do atendimento de pacientes com o novo coronavírus e daqueles que apresentam outras doenças. É essencial que todos setores da sociedade planejem, desde já, estratégias para que a população, sobretudo os grupos mais vulneráveis, consiga enfrentar medidas de isolamento mais rigorosas que serão necessárias para efetiva modificação da evolução da pandemia”, reforça a SRGI. A expectativa de entidade é de que “medidas mais rigorosas sejam consideradas e organizadas antes do atingimento do colapso do sistema de saúde, cenário que acarretará diversas mortes evitáveis”.

A manifestação da Sociedade Riograndense de Infectologia (SRGI), no entendimento do secretário extraordinário de Enfrentamento do Coronavírus de Porto Alegre, Bruno Miragem, é importante para mostrar a seriedade do problema. “Estamos enfrentando um desafio de comunicação e de convencimento da população sobre a necessidade de mantermos o distanciamento”, assinalou. De acordo com Miragem, o posicionamento da SRGI está dando uma dimensão do que está sendo visto no dia a dia. Apesar disso, ele reforçou que o ideal seria contar com a adesão voluntária da população.

“Não vai haver restrição suficiente em uma metrópole que tenha eficácia sem a adesão voluntária das pessoas, não há fiscalização possível, não há sanção possível para definir o comportamento em uma cidade com 1,5 milhão de pessoas. Se não houver adesão voluntária, essas medidas não serão eficazes. Claro que é uma manifestação muito importante para dar a real dimensão do problema que estamos enfrentando e da necessidade de ficarmos em casa”, definiu. Miragem ainda enfatizou que, em Porto Alegre, estamos “no limite das restrições, acima disso são muito poucas as atividades que poderão vir a ser restritas além do que já restringimos”.


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