Defesas dos réus de Luciano Bonilha e Elissandro Spohr pedem absolvição e exclusão de dolo eventual

Defesas dos réus de Luciano Bonilha e Elissandro Spohr pedem absolvição e exclusão de dolo eventual

Última argumentação dos advogados dos réus ocorreu na tarde desta sexta-feira 

Correio do Povo

Defesas dos réus apresentaram suas últimas argumentações na tarde desta sexta-feira

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Com informações dos repórteres Lou Cardoso e Paulo Tavares

Após as defesas dos réus Marcelo de Jesus e Mauro Hoffmann, os advogados Jean Severo e Jader Marques começaram as últimas argumentações de defesa no julgamento da Boate Kiss, na tarde desta quinta-feira, de Luciano Bonilha, da banda Gurizada Fandangueira, e do sócio-proprietário da casa, Elissandro Spohr, respectivamente. Os advogados fizeram o pedido de absolvição e exclusão pelo dolo eventual. 

O defensor de Luciano Bonilha começou o discurso citando o filme "O Auto da Compadecida" e comparou os personagens da cena de julgamento do personagem João Grilo com os representantes do Ministério Público. Ele insistiu que o seu cliente é uma pessoa humilde e que perdeu tudo após o incêndio da Boate Kiss. "Por que querem condenar este homem? Por que querem colocar alguém em uma prisão, nestas prisões horríveis do País? Ele é trabalhador e não tem família. Perdeu a esposa e só tem a mãe, que mora longe", disse. "Ele perdeu tudo nestes nove anos e sofre diariamente. Ele vai carregar este fardo. Ele já não sofre o suficiente?", questionou. 

Jean aproveitou parte do seu tempo para comentar o fato de ter rasgado o livro de autoria de David Medina no plenário. "Eu rasguei só uma página, pois se o próprio autor não acredita no livro, o que vou fazer?", disse de forma irônica, pois ele disse considerar a acusação de dolo eventual equivocada. Durante a sua fala, Severo pediu para Luciano se levantar e ficar ao seu lado, enquanto apresentava a sua tese. "Peço a absolvição total para Luciano. Total". Severo finalizou a defesa pedindo que não condene o seu amigo. "Estou pedindo justiça", pediu. Ao fim da sua fala, ele passou mal e precisou de atendimento médico fora do plenário. 

Já o advogado Jader Marques, defensor de Elissandro Spohr, citou que o banco dos réus deveria ter agentes públicos também respondendo pelo processo do Caso Kiss. Jader disse que se sentou com a Polícia Civil, com os delegados responsáveis pelo inquérito, e começaram a trabalhar em suas especificidades. "A Polícia Civil quando terminou o inquérito disse que todos os objetos que estavam na casa noturna tinham passado pelos Bombeiros e que estes deveriam ser processados junto com o dono da casa", disse, revelando que um funcionário público também deveria ser processado. "O Ministério Público não foi adiante, pois perceberam que se fosse adiante não teria quem acusasse os réus, pois estes teriam que se defender também". 

Marques ainda colocou uma montagem com as fotos do coronel de bombeiros, Gerson da Rosa Pereira, o promotor Ricardo Lozza e o ex-prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, apontando que eles também deveriam fazer parte do julgamento, mas não como testemunhas. "Para não trazer o Ministério Público para o banco dos réus, trouxeram quem não são agentes públicos. Restam os quatro", disse ao se referir a Elissandro Spohr, Mauro Hoffman, Marcelo de Jesus e Luciano Bonilha. 

Marques pediu a exclusão da acusação de dolo eventual para Spohr. "Condenem qualquer um deles pelo certo e o certo não é o dolo", disse. Ele argumentou que o réu não assumiu o risco de produzir o resultado, porque não se imaginava o uso de fogos, o que significa, segundo ele, a ausência de dolo. "Ninguém vai saber como os senhores votaram. Não fiquem com medo de votar o que acham, pois não irão ficar marcados. Peço que afastem o dolo eventual", reforçou. 

Após as considerações dos advogados de defesa, os jurados se encaminharam para a sala reservada para decidir o veredito do julgamento.


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