Em cinco meses, Porto Alegre registra mais casos de dengue do que em todo ano passado

Em cinco meses, Porto Alegre registra mais casos de dengue do que em todo ano passado

O município reportou 47 casos até maio deste ano, frente a 39 casos de dengue nos 12 meses de 2020

Gabriel Guedes

Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizou vistoria, nesta terça-feira, no parque da Redenção

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Agentes de combate a endemias da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estiveram, na manhã desta terça-feira, vistoriando o Parque Farroupilha (Redenção), em ação que buscou identificar e eliminar criadouros de mosquitos Aedes aegypti. O cerco a focos do mosquito vetor da dengue, se dá num momento em que o município já possui 47 casos, sendo 40 deles autóctones, ou seja, contraídos em Porto Alegre mesmo. Em todo no ano passado foram 39 casos de dengue. Mas o mosquito ainda pode transmitir chikungunya e zika, doenças que também preocupam. Três bairros são o que mais concentram casos.

A equipe, composta por 12 agentes, atuou na Redenção em atendimento a demandas geradas por solicitações feitas ao Serviço 156 da prefeitura, em relação ao aumento da infestação vetorial na região do parque. "Recebemos denúncias sobre a situação do espelho d'água, ocos de árvores, bebedouros e também no lixo, de que poderiam ter criadouros de mosquito", explica o gerente da Unidade de Vigilância Ambiental da SMS, Alex Lamas. Depois de identificados os locais, a vigilância demandará à Secretaria do Meio Ambiente que se faça as manutenções necessárias para eliminar os pontos com acúmulo de água.

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Bairro Santo Antônio concentra maior número de casos

Conforme o Boletim Epidemiológico Semanal da Dengue referente à semana epidemiológica 18, com dados acumulados até 8 de maio, dos 47 casos confirmados laboratorialmente, ainda seis são importados, com local de infecção situado fora da cidade, e um segue em investigação sobre o local provável de contaminação. Dos 40 casos autóctones, 36 estão concentrados nos bairros Santo Antônio (15), Humaitá (14) e Lomba do Pinheiro (7).

Lamas lembra que muitos dos sintomas da dengue podem ser confundidos inicialmente com a Covid-19. Ambas doenças causam, em comum, febre, dor ao redor dos olhos, dor muscular, articular e de cabeça, enjoo e vômito. No entanto, a dengue não costuma causar sinais respiratórios como coriza, nariz entupido, tosse e falta de ar. "Tem problema também em relação aos medicamentos utilizados. Não se pode usar aspirina, por exemplo", alerta. Isso porque medicamentos contendo ácido acetilsalicílico, apesar de indicados para tratar dor e febre, podem agravar o quadro de quem está com dengue. "Por isso se deve procurar atendimento, em caso de dúvidas", conclui. 

Desenvolvimento do inseto

No processo de desenvolvimento do inseto, a fêmea faz a postura de ovos em recipientes, desde tampinhas de garrafas até ralos pluviais. Os ovos podem ficar aderidos na parede desses recipientes por até 500 dias, eclodindo ao entrarem em contato com água. Depois de eclodir, virão as etapas de larva, pupa e inseto alado.

Esse processo dura até 10 dias, com menor tempo em períodos de temperatura mais elevada. O inseto, depois de estar na fase alada, não se afasta mais de 150 metros do local onde o ovo eclodiu. "Os ovos podem resistir ao inverno e quando chegar os meses mais quentes, pode voltar a acontecer um novo aumento em casos de dengue no município", ressalta Lamas.


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