Empresas de aplicativo ganham prazo para avaliar propostas de motoristas, em Porto Alegre

Empresas de aplicativo ganham prazo para avaliar propostas de motoristas, em Porto Alegre

Entre os assuntos discutidos está o pedido de reajuste de tarifa nas corridas

Christian Bueller

Motoristas realizaram carreata nesta terça, em Porto Alegre

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A pedido do Sindicato dos Motoristas de Transporte Privado Individual de Passageiros por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS), o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) realizou duas reuniões separadas de mediação entre a entidade de classe e as empresas Cabify e Uber. O primeiro encontro tratou da saída da empresa do Brasil e o segundo discutiu propostas de reajuste na tarifa paga pela plataforma.

A negociação foi requerida pelo assessor jurídico do Simtrapli-RS, advogado Antonio Escosteguy Castro, após a audiência ocorrida no TRT-4 em 23 de março. Na ocasião, apenas a Cabify não havia comparecido à reunião que envolvia motoristas e os quatro aplicativos que operam no Rio Grande do Sul (Uber, 99 Pop e Indriver participaram).

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Foi determinado que o sindicato apresentasse por escrito suas reivindicações dos trabalhadores de cada aplicativo para mediações individuais. Para a Cabify, desta vez presente, o pedido não foi de reajuste, mas de indenizações e compensações aos motoristas enquanto atuava no Estado, até o dia 15 de maio. A empresa anunciou que vai deixar o Brasil no próximo dia 14 de junho.

Durante a mediação, a multinacional de origem espanhola pediu alguns dias para avaliar a proposta do sindicato. “A Cabify se mostrou acessível nas negociações. Queremos uma resposta sobre os motoristas que trabalhavam pela plataforma e ficarão desassistidos. Eles prometem voltar, mas enquanto não voltam, pedimos uma proposta de indenização por parte deles”, explica a secretária-geral do Simtrapli-RS, Carina Trindade. A alegação pelo fim das operações no país foi a crise econômica.

Em uma nota de repúdio, o sindicato lembrou que “a empresa seguidamente propagandeava na imprensa seu crescimento no Brasil e os investimentos que pretendia fazer. Milhares de motoristas foram atraídos”. Uma outra mediação foi marcada para 8 de junho.

Motoristas reclamam de falta de reajuste

A reunião de mediação foi mais tensa. Os motoristas reclamam que estão sem reajuste desde 2016 nos valores por quilômetro rodado e ainda passaram por diminuição de tarifa, além do impacto dos sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis.

Durante o encontro, no entanto, a representação da Uber afirmou que a relação de profissionais e empresa é “uma sociedade entre iguais”. “Se não conseguimos conversar direito com a plataforma, vamos ser sócios?”, questiona Carina. O aplicativo também solicitou o período de 20 dias para avaliar se a mediação continuará nos mesmos moldes.

Em caso contrário, o Simtrapli-RS terá que buscar os direitos reivindicados na Justiça comum ou Ministério Público. “Queremos também o fim da categoria Uber Promo, pois reduz os ganhos dos motoristas”, enfatiza.

A mediação com a empresa 99 Pop ainda não foi marcada, mas já foi solicitada junto ao TRT4.

 


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