Encontro marca Caminhada de Transplantes e Doação de Órgãos do Hospital de Clínicas

Encontro marca Caminhada de Transplantes e Doação de Órgãos do Hospital de Clínicas

Trajeto de dois quilômetros foi percorrido entre a Usina do Gasômetro e o Anfiteatro Pôr do Sol.

Correio do Povo

Uma transplantada conheceu a equipe da Força Aérea Brasileira (FAB) responsável pelo transporte do coração recebido por ela e que foi trazido por via aérea de Florianópolis, em Santa Catarina

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Um encontro emocionado marcou a 1ª Caminhada de Transplantes e Doação de Órgãos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), realizada na manhã deste sábado passado na Orla Moacyr Scliar, em um trajeto de dois quilômetros entre a Usina do Gasômetro e o Anfiteatro Pôr do Sol. Uma transplantada conheceu a equipe da Força Aérea Brasileira (FAB) responsável pelo transporte do coração recebido por ela e que foi trazido por via aérea de Florianópolis, em Santa Catarina.

Residente em Canoas, a professora estadual Cenira Lacerda, 40 anos, estava na fila de espera há cerca de quatro meses e recebeu o novo órgão no dia 15 de outubro deste ano no HCPA. “Eu era cardiopata desde criança. Sempre tive uma vida muito debilitada. Em 2016 recebi a notícia de que as medicações não funcionavam mais e eu precisava de um transplante”, contou. “Nem lavar meu cabelo eu conseguia”, recordou. Segundo ela, a transformação em sua vida foi percebida em pouco tempo. “Eu já subo a escada da minha casa e vou para o quarto sozinha. A qualidade de vida vai melhorar a longo prazo”, afirmou.

Sem saber nada da identidade do doador, Cenira Lacerda mandou mesmo assim um recado aos familiares dele. “Ele ainda vive, está comigo e está bem”, sintetizou, acrescentando que a doação de órgãos é um gesto de amor mesmo em um momento de dor e perda de um ente querido. Em relação ao encontro com a equipe da FAB que foi homenageada no evento, a professora disse que o convite partiu dela própria. “Eles ficam nos bastidores”, lembrou, enfatizando a importância do apoio logístico no transporte de um órgão para fins de transplante. “Eles merecem nossa homenagem. É muita gente envolvida em nos devolver a vida”, enfatizou. 

A diretora-presidente do HCPA, professora Nadine Clausell, destacou a importância de um órgão, como é caso do coração, ser levado o mais rápido possível até a instituição. “O tempo é muito pequeno e o transporte aéreo é vital para que tudo funcione bem”, assinalou, referindo-se ao trabalho da FAB. Agradeceu igualmente o apoio da EPTC e da Brigada Militar. Sobre a 1ª Caminhada de Transplantes e Doação de Órgãos do HCPA, que contou com a participação até de pacientes e teve entrega de alimentos não perecíveis, ela explicou que um dos objetivos do evento foi a conscientização das pessoas. “Precisamos que toda a comunidade abrace a causa”, frisou. Reconhecendo que é preciso respeitar a decisão da família em concordar ou não com a doação de órgãos, a professora Nadine Clausell considerou que “faz bem a doação para tantas pessoas”. 

O HCPA é uma dos hospitais públicos que mais transplanta órgãos e tecidos no sul do país, realizando cerca de 400 procedimentos adultos e pediátricos por ano. O coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes do HCPA, Paulo Roberto Antonaccio Carvalho, salientou que a caminhada buscou “sensibilizar a comunidade como um todo”. Para o médico e professor, o transplante “salva muitos vidas”, mas não acontece se inexistir um doador. Ele defendeu que as famílias, responsáveis pela autorização mesmo que em vida a pessoa tenha manifestado o desejo da doação, conversem em casa sobre o assunto.

“Qual a família que não vai querer fazer o último desejo do falecido e salvar muitas vidas?”, questionou. “A recusa de doações fica em torno de 40% a 45%. A gente quer mudar isso. O motivo é o desconhecimento. Vai tudo apodrecer...então por que não doar?”, disse, salientando que o sistema de transplante “é muito sério” no país. “Estão na fila em torno de 1,3 mil a 1,4 mil no Rio Grande do Sul”, estimou. Para 2020, revelou, uma das metas é aumentar o número de cirurgias na área e realizar até mesmo o transplante de intestino. “Ele é mais complexo”, avaliou. Recentemente, concluiu, foi lançado o memorial virtual que homenageia os doadores de órgãos e tecidos do HCPA.


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