Entidades empresariais comemoram ampliação de horários em Porto Alegre, mas desejam mais avanços

Entidades empresariais comemoram ampliação de horários em Porto Alegre, mas desejam mais avanços

Estabelecimentos comerciais de Porto Alegre poderão abrir de segunda a quinta e restaurantes até sexta-feira

Jessica Hübler

Bares e restaurantes poderão atender o público de segunda e sexta-feira, das 11h às 17h

publicidade

A partir desta segunda-feira passam a valer as novas medidas de liberação das atividades econômicas em Porto Alegre. Os estabelecimentos comerciais, incluindo lojas de rua e em shoppings centers, poderão funcionar de segunda a quinta-feira, das 10h às 17h. Enquanto restaurantes, bares, padarias, lojas de conveniência e similares poderão receber clientes de segunda a sexta-feira, das 11h às 17h.

Em todos os casos, há restrições no número de clientes dentro dos estabelecimentos, além de orientação sobre os protocolos de higienização e distanciamento. Os estabelecimentos classificados como permitidos ou essenciais poderão operar sem restrição de horário. Todas as regras estão no decreto 20.687, publicado na noite de sexta-feira. A Prefeitura salienta que a intenção é autorizar as atividades de segunda a sexta.

Segundo o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Porto Alegre e Região (Sindha), Henry Starosta Chmelnitsky, o novo decreto mantém as condições do anterior e, apesar de representar um avanço, ainda não é o ideal para o setor. “Estamos discutindo com o Estado e com o Município que não abrir sábados, domingos e não ter a noite é extremamente complicado para o setor, porque se uma parte vai conseguir respirar, a outra vai morrer por inteiro”, afirma.

Conforme Chmelnitsky, a entidade entende que deveria haver uma flexibilização diferenciada. “Se não dá para ser os sete dias, que sejam seis, se não dá para ser seis, que sejam cinco, mas tendo o sábado e se elimina a segunda, por exemplo, mas o ideal para nós seria que só fechasse aos domingos. Isso está nos matando”, reitera, reforçando que a situação, como está, enfraquece o setor. Apesar de preferir condições diferentes, Chmelnitsky ressalta que é preferível avançar lentamente e sempre, do que retroceder.

“É importante termos esses avanços graduais e contarmos com o envolvimento da população. Não adianta avançar rapidamente e depois fechar tudo. Se a populaçao não se conscientizar do uso das máscaras, da higiene das mãos, do álcool em gel, não vai adiantar nada, vamos continuar com esse problema. Precisamos do engajamento de todos para que os avanços sejam ainda maiores”, complementa. Chmelnitsky ainda enfatiza que a liberação não está como a entidade gostaria, mas defende que é preciso seguir “devagar e sempre”. “Não dá para querer que o mundo volte a ser como era, não vai ser. Nós temos que nos reconstruir devagar e sempre”, assinala.

Sobre o novo decreto da Prefeitura, a presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Simone Leite, enfatiza que “antes tarde do que nunca” e “melhor que nada”. “Essas frases resumem o sentimento dos empresários. Buscamos, há várias semanas a flexibilização das atividades em função da gravidade da crise econômica e da falta de renda dos trabalhadores e é importante repetir e salientar que as empresas cumprem todos os protocolos sanitários e representam locais seguros para se trabalhar”, comenta. Além disso, Simone reitera que, desta forma, “o consumidor e o empreendedor tem previsibilidade e podem se organizar, para atender suas necessidades”.

O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas) de Porto Alegre, Paulo Kruse, ressalta que a expectativa dos lojistas é que na próxima semana a flexibilização possa mudar, conforme tratativas com o governo do Estado. “Mas para quem esteve todo esse tempo fechado, agora podemos começar a fazer planejamentos, antes estava muito difícil”, pontua, reforçando que “estar de portas abertas já é uma grande conquista”. Conforme Kruse, aos poucos a situação do setor deve melhorar, mas ainda é preciso fazer ajustes na flexibilização.

“Precisamos voltar a abrir aos sábados, é a data de melhor venda da semana, então sem esse dia prejudica bastante, mas vamos continuar negociando para que fique o melhor possível”, declara. Kruse ainda lembra que o prefeito Nelson Marchezan Júnior tem dado oportunidade para que as entidades empresariais estejam reunidas com frequência. “Sempre é necessário estarmos em manutenção constante”, diz.

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre avalia que houve avanços na publicação do decreto, que permite ao comércio mais um dia de trabalho. No entanto, o presidente da entidade, Irio Piva, acredita que “seria possível permitir a abertura das lojas de segunda-feira à sábado, inclusive com a possibilidade de flexibilizar os horários de funcionamento”. Para reforçar esta ideia, a CDL POA iniciou uma campanha conscientização de lojistas e consumidores quanto aos cuidados no combate à propagação do coronavírus.

Uma equipe percorrerá as principais regiões comerciais da Capital para orientar sobre a importância do cumprimento de todos os protocolos necessários. As lojas que forem visitadas receberão um cartaz com a frase ‘Aqui tem compra segura’. A partir do estabelecimento de ambientes seguros, o objetivo dos empresários é ampliar o período de abertura. Nos três dias de funcionamento nesta semana, lojistas informaram que as vendas foram positivas.


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895