Entregador de aplicativo morre após esperar duas horas por atendimento
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Entregador de aplicativo morre após esperar duas horas por atendimento

Thiago Dias teria tido um AVC durante uma entrega no último sábado, em São Paulo

Por
R7

Thiago Dias sofreu um AVC durante trabalho e não recebeu assistência da Rappi ou Samu

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Um entregador morreu após ter um mal súbito durante uma entrega, no último sábado, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Thiago de Jesus Dias, de 33 anos, teria tido um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e esperado cerca de duas horas por socorro. Ele deixa uma filha.

A advogada Ana Luísa Pinto escreveu em uma rede social que solicitou a entrega de um alimento por meio do aplicativo Rappi. Ela conta que quando o entregador chegou em sua residência, ele se queixou de "dor de cabeça forte, náusea e pressão baixa". Junto a isso, "ele tremia muito e vomitou algumas vezes".

A jovem relata que acionou o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), enquanto pegava cobertores para que ele se aquecesse. Em seguida, teria entrado em contato com a empresa. "Sem qualquer sensibilidade, nos pediu para que déssemos baixa no pedido para que eles conseguissem avisar os próximos clientes que não receberiam seus produtos no horário previsto".

Em seguida, ligou para um familiar do entregador que apareceu minutos depois no local. "Thiago desmaiou. Parecia que ele estava tendo uma convulsão, seu corpo e seu membros todos rígidos e sua respiração bastante dificultosa fazia bastante barulho". Mais ligações para o Rappi e Samu. Todas sem respostas.

Assim que a situação se agravava, a jovem afirma que chamou um veículo da Uber para levar o entregador ao hospital. Quando chegou ao local da ocorrência, o motorista da empresa de aplicativos de transporte individual também se negou a levar o jovem.

Naquele momento, um amigo do entregador chegou e o levou até o Hospital das Clínicas. "Ele deu entrada na UTI e seu diagnóstico era AVC". Na segunda-feira, a jovem recebeu uma ligação da mulher do entregador, dizendo que ele havia falecido.

"Foram duas horas aguardando socorro e omissão de seus empregadores e do Estado", diz a jovem. "Lamentamos muito esta e todas as outras vidas perdidas em função do descaso e violência a que somos submetidos pelo poder público e pelas relações precarizadas de trabalho", disse Ana Luísa.

Em nota, a Rappi disse que lamenta profundamente o falecimento do entregador e informa que está buscando melhorias em seus processos.

A empresa afirma também que está desenvolvendo um botão de emergência, que estará disponível dentro do aplicativo dos entregadores, por meio do qual os mesmos poderão optar por acionar diretamente o suporte telefônico da Rappi - que contará com equipe especializada - ou as autoridades competentes (caso se deparem com situações relacionadas à saúde ou segurança).

A reportagem do R7 também procurou a Uber e o SAMU, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.