Entregadores de aplicativos protestam em Porto Alegre

Entregadores de aplicativos protestam em Porto Alegre

Categoria pede melhores condições de trabalho, medidas de proteção contra Covid-19 e mais transparência na dinâmica de funcionamento dos serviços

Cláudio Isaías

Grupo de 30 trabalhadores se reuniu na Praça da Alfândega para protestar contra as empresas e não realizaram a entrega de produtos

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Os entregadores de aplicativos como Rappi, iFood e Uber Eats realizaram hoje uma paralisação por melhores condições de trabalho, medidas de proteção contra o risco de infecção pela Covid-19 e mais transparência na dinâmica de funcionamento dos serviços e das formas de remuneração da atividade. Em Porto Alegre, um grupo de 30 trabalhadores se reuniu na Praça da Alfândega para protestar contra as empresas e não realizaram a entrega de produtos.

Os entregadores cobram o aumento das taxas mínimas recebidas por cada corrida e o valor mínimo por quilômetro. Atualmente, eles são remunerados por corrida e pela distância percorrida, e por isso esses dois indicadores acabam definindo o pagamento por cada entrega. Segundo Leonardo Magri, um dos organizadores da manifestação, a pandemia do coronavírus mostrou para a sociedade brasileira que o trabalho do entregador é essencial. "Se o Brasil não parou é porque ele está andando sobre duas rodas (motos e bicicletas) hoje", ressaltou. Magriz explicou que os entregadores correm muitos riscos e estão recebendo uma péssima remuneração. "Somos desrespeitados todos os dias pelos aplicativos. A gente não quer ser chamado de herói, só queremos nosso trabalho valorizado" acrescentou. 

Conforme Magri, os aplicativos usam qualquer coisa de desculpa para realizar o bloqueio ou desligar. "Queremos o fim dos bloqueios e dos desligamentos sem motivo. A nossa proposta é que os entregadores que foram bloqueados indevidamente possam voltar a trabalhar", comentou. Trabalhando há mais de um ano no sistema de aplicativo, Magri diz que tem dias que "o pessoal acaba pagando para trabalhar". "São horas na rua, esperando o aplicativo tocar. Se não tiver taxa  mínima que compense ligar a moto ou subir na bicicleta não dá para trabalhar", explicou.

A manifestação nacional também foi realizada em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A categoria pede ainda que as empresas de aplicativo forneçam equipamentos de segurança para os entregadores, como máscara de proteção e álcool em gel. Segundo Magri, com a pandemia da Covid-19 e o desemprego, os aplicativos estão ganhando como nunca. "Em vez do repasse do valor para quem está na linha de frente, no caso os entregadores, as empresas jogaram as taxas de entrega lá embaixo" explicou.  

A Uber Eats informou que disponibiliza de forma transparente cada taxa e valor correspondente e afirmou que não houve diminuição nos valores pagos. O iFood, que tem 170 mil cadastrados ativos, afirma que recebeu mais de 175 mil solicitações de cadastro em março e ressalta que "não significa que todas as pessoas estão aptas a serem ativadas". A empresa não opera com pontuação. Em nota, a Rappi afirmou que reconhece o direito à livre manifestação pacífica e busca o diálogo com os entregadores parceiros de forma a melhorar a experiência oferecida aos colaboradores.


Foto: Alina Souza


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