Estudantes gaúchas criam aplicação para auxiliar no tratamento da depressão
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Estudantes gaúchas criam aplicação para auxiliar no tratamento da depressão

Aléxia Dorneles e Paula Severo foram convidadas a participar de evento internacional em Abu Dhabi

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Lucas Eliel / Especial

Paula Severo (à esquerda) e Aléxia Dorneles (à direita) foram destaque no XIII Salão UFRGS Jovem e levaram o projeto Brasil afora em 2018

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Ter conhecimento sobre o males que afligem o mundo e procurar auxiliar na resolução deles são alguns dos grandes objetivos da comunidade científica ao longo do tempo. Alinhado a isso, foi criado o Phoenix, projeto elaborado pelas estudantes gaúchas Aléxia Dorneles e Paula Severo, ambas de 19 anos. Pensando no quadro de adolescentes com depressão no Brasil, as alunas formadas em 2018 como técnicas de informática no Instituto Federal de Educação, Ciência, Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSul), tiveram a ideia de fazer a aplicação, que já foi apresentada em diferentes feiras do País e recebeu ano passado convite para representar o Brasil em setembro na MILSET Expo-Sciences International (ESI) 2019, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

A grande notícia veio em dezembro passado após as estudantes terem sido selecionadas para apresentar o projeto na Mostra de Ciência e Tecnologia da Escola Açaí (MCTEA), no estado do Pará, onde receberam a medalha de 2° lugar na categoria Ciências da Saúde e o credenciamento para ir para Abu Dhabi. “Eu acho que meu coração parou por alguns segundos”, conta Paula. Já Aléxia relata que ficou paralisada quando soube da novidade. “Eu não conseguia falar. A minha mãe falava comigo e eu não conseguia responder ela. Fiquei assim por uns cinco minutos”, conta.

A ESI é o maior evento de ciência dos Emirados Árabes Unidos. A iniciativa é exclusivamente focada na criatividade de jovens cientistas ao redor do mundo. Para fazer parte do evento, é necessário um convite da organização que promove a feira, não sendo possível participar por meio de inscrição direta. Sem fins lucrativos, o programa que dura sete dias abrange mais de 2 mil participantes de mais de 68 países.

Será a primeira feira internacional em que as estudantes irão expôr o trabalho, mas a caminhada no Brasil para falar sobre o Phoenix não é de hoje. Além do Pará, Aléxia e Paula já apresentaram a aplicação na FEBIC, em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, as alunas participaram do XVIII Salão Jovem da UFRGS, onde receberam o prêmio de Projeto Destaque, e também nas feiras Sabertec e Mostratec. Na última, levaram para casa o terceiro lugar na categoria Ciência da Computação.

Aléxia destaca a reviravolta em levar o projeto para fora do País. “O nosso objetivo quando a gente começou a fazer o projeto era ganhar o Projeto Destaque no Salão da UFRGS. A gente nem sonhava com Mostratec, Pará, quanto mais levar o Phoenix pra fora do Brasil”.

A ciência como aliada à saúde mental

Ainda em forma de protótipo, o Phoenix foi desenvolvido pelas estudantes no último ano do curso Técnico em Informática do IFSul, servindo como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). O projeto tem por objetivo auxiliar o tratamento de adolescentes que têm depressão. Utilizando o Facebook como base, o trabalho, por meio de um chat, faz a interação humano-robô com técnicas cognitivas da Psicologia e gera relatórios para que o psicólogo que atende o adolescente tenha acesso. 

Desta forma, o jovem que sofre do mal pode abordar diversos assuntos no chat, a exemplo de como está se sentido ou como foi a sua rotina. Todas estas informações são armazenadas para otimizar o tratamento do adolescente que sofre do problema.

De acordo com a Associação Brasileira de Psicanálise, cerca de 10% dos adolescentes brasileiros sofrem de depressão. A porcentagem mundial, no entanto, é ainda mais alarmante, pois segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um em cada cinco adolescentes ao redor do mundo têm a doença, uma média de um a cada cinco jovens.

O nome Phoenix foi ideia de uma das mães das estudantes, formada em Publicidade e Propaganda, e é em alusão ao pássaro mais famoso da mitologia grega, que renasce das cinzas em forma de fogo, como explica Aléxia. “Nós fizemos um projeto para as pessoas que estão se sentindo mal e a gente quer que elas passem a se sentir bem, que renasçam desse momento. Por isso o nome”, destaca.

Os custos da viagem para Abu Dhabi

O Aeroporto Internacional de Abu Dhabi fica a mais de 12,7 mil quilômetros de Porto Alegre. A viagem para a capital dos Emirados Árabes Unidos dura cerca de 26 horas, mais de um dia, e a passagem para lá pode ser encontrada em sites de companhias aéreas por aproximadamente R$ 6,5 mil.

As estudantes fizeram um levantamento e viram que o valor total, que inclui as passagens, inscrições após o convite, passaportes e consumo, chega a R$ 18 mil. Aléxia, que trabalha como programadora e deseja iniciar ainda este ano o curso de Ciência da Computação, e Paula, acadêmica do primeiro semestre em Design Gráfico, não têm condições de custear de forma integral os gastos.

A saída foi recorrer à plataforma de contribuição coletiva Vakinha. No site, elas relataram, de forma detalhada, todos os gastos, bem como um vídeo de apresentação do trabalho. Paula conta como é o sentimento meses antes da viagem. “A gente sabe que é uma experiência muito única que a gente não quer desperdiçar, mas tem um custo muito alto, então, isso nos preocupa”, explica.

Confira o vídeo de apresentação do projeto Phoenix: