Estudo mostra que 60% dos porto-alegrenses temem piora da Covid-19 no Brasil

Estudo mostra que 60% dos porto-alegrenses temem piora da Covid-19 no Brasil

88% dos entrevistados disseram que pretendem receber a vacina

Jessica Hübler

Estudo mostra que 56% são favoráveis à flexibilização da abertura do comércio

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O estudo realizado pela jornalista e diretora do Clube da Opinião (CDO), Flávia Lima Moreira,  "Pesquisa de opinião sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na vida dos porto-alegrenses", apontou que pelo menos 60% dos entrevistados acreditam que o avanço do número de casos e de mortes pelo coronavírus vai aumentar no Brasil. Em relação à abertura do comércio não essencial e dos serviços em geral, 56% se mostraram favoráveis.

Flávia procurou demonstrar quais os posicionamentos dos gaúchos que moram em Porto Alegre a respeito do contexto da pandemia da Covid-19 na Capital atualmente. 

Sobre a vacinação, 88% das pessoas informaram que pretendem tomar a vacina contra a Covid-19 quando estiver disponível para a sua respectiva faixa etária. E a respeito dos próximos meses, 61% dos participantes do estudo informaram que se sentem preocupados ou muito preocupados.

Impactos 

Para Flávia, o que mais chamou atenção nos resultados foi a diferença do impacto na vida da população que recebe até dois salários mínimos de renda familiar, para a população que tem renda superior a cinco salários mínimos. "A diferença é muito significativa, principalmente com relação ao medo de perder o emprego ou ter deixado de pagar alguma conta nos dois últimos e isso mostra uma das faces mais cruéis da pandemia, que é acentuar as desigualdades sociais", destacou.

Ela ainda declarou que, a partir da pesquisa, é possível concluir que políticas públicas são necessárias, principalmente aquelas voltadas a minimizar essa desigualdade. "Porque sem dúvida nenhuma há um impacto muito maior na vida de quem tem renda menor", reiterou.

Ouvir a sociedade 

A pesquisadora ainda pontuou que o mais importante na realização do estudo foi ouvir a sociedade. "Acompanhamos sempre, por óbvio, a posição do governador, do presidente, do prefeito, de cientistas, especialistas, empresários, mas não ouvimos a sociedade e precisamos saber, conhecer bem os sentimentos, as expectativas e os medos das pessoas e levar isso para quem governa, para quem toma as decisões que vão impactar a vida da gente", enfatizou.

É possível que, nos próximos meses, o CDO realize novas rodadas da pesquisa voltada especificamente ao contexto da pandemia. "Fizemos essa primeira edição a partir do momento que todo o RS entrou em bandeira preta, foi um sinal de alerta muito forte, então decidimos fazer o levantamento", explicou.

A intenção também é, ao longo do ano, mensurar os impactos da pandemia na vida dos porto-alegrenses. E também desenhar "a Porto Alegre dos 250 anos", data a ser comemorada em 2022. "Queremos poder entender o que as pessoas que vivem aqui pensam, quais os anseios, os medos, as expectativas e ouvir a população de uma forma permanente, nos permite entender as mudanças de comportamento", frisou. O objetivo do CDO é ser um projeto de escuta permanente da sociedade.

Desconfiança 

Um dos principais desafios da pesquisa, segundo Flávia, é a desconfiança das pessoas. "Sempre me parece que as pessoas estão desacostumadas a serem ouvidas e quando alguém se propõe a isso, de forma independente, elas acham que têm alguma coisa por trás. Fazer pesquisas por meio digital tem esse desafio, que é absolutamente compensado pela gratidão das pessoas de serem ouvidas", comentou.

Foram 1.066 entrevistados, sendo 55% do gênero feminino e 45% do gênero masculino, residentes em 74 diferentes bairros da cidade. A maioria dos participantes da pesquisa tem renda de até dois salários mínimos (49%). Além disso, 36% informaram ter renda de dois a cinco salários mínimos e apenas 15% têm ganhos superiores a cinco salários mínimos). 


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