Europa ainda tem níveis altos de Covid-19, que arrasa os EUA

Europa ainda tem níveis altos de Covid-19, que arrasa os EUA

No mundo, o coronavírus deixou ao menos 1.582.721 mortos e infectou cerca de 70 milhões de pessoas

AFP

Na França, há um "risco alto" de um surto "nas próximas semanas", alertaram autoridades

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Vários países europeus reconheceram nesta sexta-feira que continuam sofrendo com níveis muito altos de contágio da Covid-19 a poucas semanas do Natal, enquanto os Estados Unidos vivem uma onda arrasadora, com todas as suas esperanças voltadas para o início da vacinação.

O coronavírus deixou ao menos 1.582.721 mortos no mundo e infectou cerca de 70 milhões de pessoas, segundo dados oficiais coletados pela AFP. A Europa é a região que registrou mais casos esta semana (236.700 na média diária). A pandemia, que estava diminuindo sua intensidade desde meados de novembro, se estabilizou em um nível muito alto.

Na França (com cerca de 57.000 mortos), há um "risco alto" de um surto "nas próximas semanas", alertaram as autoridades, que pediram "uma grande vigilância". Os franceses deverão respeitar um toque de recolher diário às 20h00 locais, incluindo na noite de ano novo, com exceção apenas na véspera de natal. Cinemas, teatros e museus permanecerão fechados ao menos até 7 de janeiro.

Na vizinha Bélgica, a pandemia também está em "um nível muito elevado e perigoso", alertou o virologista Steven Van Gucht, porta-voz das autoridades de saúde. Os hospitais continuam saturados, alertou, apesar de os surtos não serem tão preocupantes como na Holanda ou na Alemanha.

Na Suíça, o aumento de casos é exponencial, com mais de 5.000 por dia. A situação é "crítica", alertou a presidente federal, Simonetta Sommaruga. O país adotou um pacote de medidas como o fechamento de restaurantes, bares e lojas às 19h00 locais.

O Reino Unido (63.082 mortes), que já iniciou sua campanha de vacinação, vivencia um aumento dos casos em Londres e no sudeste do país.

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Sinal verde nos EUA

O secretário da Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, estimou nesta sexta-feira que a vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid-19 pode começar a ser administrada na população na segunda ou terça-feira, contando com que seja aprovada pelas autoridades reguladoras.

Depois que uma comissão consultiva da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) recomendou na quinta-feira a autorização do uso da vacina, o secretário informou que este órgão regulador provavelmente dará sua aprovação definitiva "nos próximos dias".

Com mais de 292.000 mortos pela pandemia, os Estados Unidos não têm tempo a perder, principalmente agora que registram uma média de 3.000 mortes diárias por Covid-19. A vacina desperta esperanças não apenas entre as autoridades políticas, mas também nos mercados de ações e investidores, que aguardam o tão esperado fim do túnel econômico.

Mas nem todos os laboratórios anunciam boas notícias. O francês Sanofi e o britânico GSK sofreram um duro revés, pois sua vacina não estará pronta até o final de 2021, após resultados piores do que o esperado nos primeiros ensaios clínicos.

O adiamento pretende "melhorar a resposta imunológica nos idosos", disseram os grupos em um comunicado. A vacina estaria disponível na primeira metade de 2021 e um bilhão de doses são esperadas para o ano que vem.

A Austrália também decidiu nesta sexta abandonar os ensaios para gerar sua própria vacina devido a um falso positivo ao HIV, o vírus da aids, entre os participantes.

Aliança AstraZeneca/Sputnik V

Até que as vacinações sejam realmente massificadas, as restrições de circulação e as medidas de higiene são o principal escudo contra o vírus. Rússia e China já começaram campanhas com vacinas de produção nacional que ainda não estão definitivamente aprovadas. A Agência Europeia de Medicamentos prometeu sua decisão sobre a vacina Pfizer/BioNTech antes de 29 de dezembro e sobre a candidata da Moderna para 12 de janeiro.

Em Moscou, o laboratório britânico AstraZeneca e Rússia anunciaram ensaios clínicos conjuntos que combinam suas duas vacinas (a russa é a Sputnik V) contra o coronavírus, um caminho para alcançar uma "melhor resposta imunológica".

A França prometeu relatórios semanais sobre os efeitos colaterais quando começar a campanha de vacinação. Na América Latina, com mais de 466.000 mortes, a Argentina anunciou um acordo com a Rússia para a aquisição da Sputnik V.

O coração parado do Rio

Um dos setores que mais sofre essas restrições é o dos restaurantes. Na Espanha, Zalacain, instituição culinária de Madri conhecida por suas batatas suflé, teve que fechar após uma história de mais de cinquenta anos, reflexo do sofrimento da alta gastronomia na Europa.

No Brasil, a Casa Villarino, bar em que os lendários Vinícius de Moraes e Tom Jobim se conheceram, também continua fechado, no coração parado do Rio de Janeiro.


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