Funcionários da Carris entram em greve a partir da próxima quinta-feira

Funcionários da Carris entram em greve a partir da próxima quinta-feira

Decisão veio após o Melo optar por não retirar de votação na Câmara Municipal o projeto de lei 013/21, que trata da desestatização da empresa

Christian Bueller

Greve só não acontece se o governo municipal voltar atrás

publicidade

Uma segunda assembleia reunindo funcionários da Carris, na tarde desta sexta-feira, indicou uma greve para a próxima quinta-feira, dia 2 de setembro. No encontro realizado na garagem da empresa pública, cerca de 60 trabalhadores votaram unanimemente pela paralisação, o que já havia ocorrido na reunião da manhã, com cerca de 170 trabalhadores. A decisão veio após o prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo optar por não retirar de votação na Câmara Municipal o projeto de lei 013/21 – que autoriza o Executivo a desestatizar a companhia de ônibus.

A greve só não acontece se o governo municipal voltar atrás. A Comissão de Funcionários da Carris e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte (Stetpoa) chegaram a se reuniram com representantes da empresa pública e da prefeitura, na quinta-feira, solicitando a retirada do PL da pauta do Legislativo Municipal e o prazo de seis meses para a elaboração de uma solução financeira antes da opção pela privatização. Com a inicial recusa de Melo e a manutenção do projeto, os funcionários, que já estavam, em estado de greve, decidiram realizar os três encontros para decidir se paralisam em definitivo. “Como já tivemos grande número de pessoas nos dois primeiros encontros, já atingimos a maioria. A greve está confirmada, caso não seja dado o prazo ou retirem o projeto da Câmara”, afirmou o vice-presidente da Comissão, Marcelo Weber.

Perguntado sobre a expectativa a respeito das assembleias, o presidente do Stetpoa, Sandro Abbade, foi taxativo. “Quinta-feira tem confusão”, enfatizou. Tanto o presidente da Carris, Maurício Cunha, quanto o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luiz Fernando Záchia, só irão se manifestar após a decisão da última assembleia dos rodoviários, na noite desta sexta-feira. O prefeito não esconde a ideia de que uma das soluções para a “falência do transporte público de Porto Alegre” é a desestatização. “Não é a Carris sozinha, é a Carris, a questão das isenções e a questão dos cobradores, é um conjunto de medidas que têm que ser enfrentadas”, afirmou.

Enquanto isso, uma audiência de mediação no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), prevista de forma virtual para iniciar no fim da tarde desta sexta-feira, ainda pretende encontrar um ponto de negociação entre Carris, Município e trabalhadores. Na mediação anterior, na última segunda-feira, o prefeito se comprometeu a não colocar o PL 013/21 em votação no prazo de dez dias e os funcionários garantiram que não parariam no mesmo período. “Se o governo descumprir o prazo, pararemos a qualquer momento”, ressaltou Marcelo Weber.

Veja Também


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895