Governo federal apresenta plano de revitalização da malha ferroviária da região Sul

Governo federal apresenta plano de revitalização da malha ferroviária da região Sul

Estudos devem ser concluídos até abril de 2022

Felipe Samuel

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A possibilidade de investimentos na malha ferroviária em estados do Sul foi tema de reunião hoje, na Capital, no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). Uma comitiva do Ministério da Infraestrutura apresentou a empresários os planos para revitalização do modal ferroviário. A principal alternativa apontada pelo secretário nacional de Transporte Terrestre, Marcello Costa, é a antecipação da renovação da concessão com a empresa Rumo, que é responsável pela Malha Sul. O governo federal planeja um acordo com garantia de investimentos, que no acordo anterior - que vai até 2027 - não está previsto.

Conforme Costa - que substituiu no evento o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que está doente -, a renovação antecipada da Malha Sul - que tem 7.223 quilômetros de extensão - pode resultar em investimentos da ordem de R$ 10 bilhões nos três estados. Ele reforça que isso permitiria revitalizar trechos que estão sem uso e liberar trechos que não são utilizados. Segundo Costa, dos 7.223 quilômetros, apenas 2.000 estão em operação. "A gente está fazendo um planejamento para os próximos 30 anos com gatilhos de garantia de investimentos", ressalta. "A gente vai transformar o modal ferroviário no RS, o que diminui o custo logístico e torna produtos produzidos no RS mais competitivos para exportação", completa.

Segundo Costa, a ideia é tirar o projeto do papel no próximo ano, uma vez que o projeto de para renovação antecipada da concessão da Malha Sul está sendo elaborada há alguns anos. Os estudos devem ser concluídos até abril de 2022, e levam em conta a demanda e análise de investimentos. "A tendência é que a gente coloque esse estudo em audiência pública para que no final do ano que vem, início de 2023, já tenha um novo operador ou a renovação antecipada aprovada para poder garantir o início desses investimentos", projeta.

Além das concessões de autorização e da 'nova modelagem de se fazer ferrovias no país', Costa destaca a tramitação do novo marco legal ferroviário do país, já aprovado pelo Senado e em tramitação em regime de urgência na Câmara dos Deputados. O senador Luis Carlos Heinze (PP) explica que o objetivo de antecipar a renovação da concessão da Malha Sul com a empresa Rumo, previsto até 2027, é buscar mais investimentos e 'ativar' parte dos ramais das ferrovias, especialmente no Rio Grande do Sul. "Temos mais de 3 mil quilômetros de ferrovias, com quase 1,5 mil quilômetros desativados", afirma.

Heinze ressalta o interesse na antecipação da renovação da concessão com a empresa, principalmente das federações da indústria dos três estados, do comércio, da agricultura, de cooperativas e cerealistas. Conforme Heinze, a ideia é obter a garantir do governo federal para que a antecipação da renovação ocorra em 2022. "Queremos ver de que forma a concessionária possa ativar parte desses ramais e como pode melhorar os investimentos em ferrovias no Estado", completa.

As melhorias nas ferrovias podem beneficiar municípios gaúchos como Santiago, Santa Rosa, Uruguaiana, além de Vacaria - que pode contar com polo de aço. Entre os problemas enfrentados pelos produtores, Heinze salienta o elevado custo logístico no Estado, considerado 'um dos mais caros do país e do mundo', em torno de 21%. "Isso afugenta investimentos", avalia. O presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, elogia o trabalho do Ministério da Infraestrutura e salienta que o governo federal mantém 'extenso cronograma' de obras no RS, como a Ponte do Guaíba e a duplicação da BR-116. "Para a BR-116 falta um pouquinho de dinheiro que esqueceram de botar", observa.


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