Greve dos caminhoneiros não bloqueia estradas nem portos, diz governo federal

Greve dos caminhoneiros não bloqueia estradas nem portos, diz governo federal

Movimento teve maior adesão pelos caminhoneiros autônomos nesta segunda-feira

André Malinoski

Movimento teve maior adesão pelos caminhoneiros autônomos nesta segunda-feira

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A greve dos caminhoneiros deflagrada nesta segunda-feira em vários estados do Brasil não bloqueou as estradas federais nem os portos devido a liminares judiciais obtidas pelo governo federal. O juiz federal Ricardo Humberto Silva Borne determinou, no dia 30, a “imediata desocupação das rodovias federais ou outros bens da União” que interligam a refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL) e presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ijuí-RS (Sinditac), Carlos Alberto Litti Dahmer, relatou que houve paralisação no trevo do Posto 44, no entroncamento da BR 285 com as ERS 342 e 522, em Ijuí, desde as 7h.

“Os caminhoneiros autônomos que foram chamados atenderam em 90%. Os que estão rodando são os de empresas e mais os 10% dos autônomos que não participaram. Maciçamente os autônomos aderiram, mas não houve adesão das grandes empresas de transportes”, explicou o dirigente. “O pátio do posto está repleto de caminhões que não saíram para viajar”, acrescentou. Não foram registradas interrupções na via.

No local, foi montado um piquete com tenda, mesa, cadeiras e os participantes até prepararam almoço nessa segunda-feira. Os caminhões ficaram parados no posto de gasolina das imediações. Faixas foram estendidas com protestos pelos elevados preços dos combustíveis. A bandeira do Rio Grande do Sul também marcava presença no ponto de concentração dos grevistas. Entre as reivindicações dos manifestantes estão o pedido de redução no preço do diesel e mudança na política de preços da Petrobras, solicitação de votação de projeto sobre o implemento do piso mínimo do frete, retorno da aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho, criação e melhoria dos pontos de parada dos caminhoneiros, aprovação do novo Marco Regulatório de Transporte Rodoviário de Carga, e outras exigências.

Caminhões foram apedrejados na BR 392

Em Rio Grande, em trecho da BR 392, dois caminhões foram apedrejados perto da praia do Cassino. Ninguém se feriu e não houve prisões. A Federação dos Caminhoneiros Autônomos do RS (Fecam/RS) declarou que segue a mesma posição da maioria dos sindicatos filiados. “A entidade não recomenda a participação nesse movimento por ter da categoria o não reconhecimento da pauta nem das lideranças que conduzem”, informou por nota. Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF/RS) não havia nenhuma alteração nas rodovias federais do Estado até o final da tarde de hoje.

Por sua vez, Ministério da Infraestrutura informou que não tinha registro de bloqueios de caminhoneiros parcial ou total em rodovias federais ou em outros pontos do país nessa segunda-feira. Porém, houve tentativas de bloqueios em São Paulo e no Espírito Santo, mas elas não se concretizaram. Conforme o governo federal, até o fim da tarde, o número de pontos de concentração dos manifestantes se resumia a apenas um no país: no km 276 da BR 116, no município de Barra Mansa, no Rio de Janeiro. Outros, como às margens da BR 153, próximo a Goiânia, em Goiás, foram dispersados antes.

Mais cedo ocorreu concentração na BR 101, na região de Rio Bonito (RJ), mas ele também foi dispersado. O mesmo aconteceu na madrugada, no km 92 da Rodovia Presidente Dutra, na altura de Pindamonhangaba (SP). O líder da greve dos caminhoneiros em 2008, Wallace Landim, o Chorão, salientou que a categoria procura derrubar no Supremo Tribunal Federal as liminares conquistadas pelo governo.

Em relação aos portos, a situação foi diferente. “Há bloqueios nos Portos de Santos, de Recife, do Espírito Santo e da Bahia”, relatou o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes. Já Armando Romero da Costa, representante dos caminhoneiros do Porto de Santos, afirmou que havia bloqueio em Santos. “A gente está na luta, apesar dessas liminares. No dia 7 de setembro não teve liminar, mas agora que estamos pedindo o que é nosso não nos dão. Aqui no Porto de Santos está tudo parado e há outras categorias nos apoiando. No primeiro dia de greve a adesão é baixa, mas depois aumenta”, avaliou.

No boletim do Ministério da Infraestrutura das 12h, o governo descartou problemas nos portos. A PRF escoltou cerca de 25 caminhões que chegavam ao Porto de Santos, durante a madrugada. O motivo foi que manifestantes estavam tentando atirar pedras nos veículos. Na página do Facebook do CNTRC estavam disponibilizados vídeos de relatos de tensão entre grevistas e policiais no Porto de Santos e também na cidade de Itapeva, em Minas Gerais.

A organização para as manifestações partiu do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam).


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