Hospital de Jaguarão suspende internações
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Hospital de Jaguarão suspende internações

Medida de Santa Casa foi tomada após falta de repasses

Por
Angélica Silveira

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A Santa Casa de Caridade de Jaguarão, no Sul do Estado, suspendeu ontem, por tempo indeterminado, internações e consultas com especialistas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Queremos que o governo do Estado se sensibilize com a nossa situação. Pela contratualização, temos em recursos a receber aproximadamente R$ 1,2 milhão. A partir de setembro começou o atraso nos pagamentos”, lamenta o gestor presidente da instituição, João Cláudio Hernandes Pedroza. Segundo ele, estão mantidos os atendimentos de emergência e pronto-socorro.

A estimativa é que em torno de 90 pessoas deixarão de ser atendidas por mês. Pedroza explicou que o hospital informou a situação ao Estado quinta-feira e ontem divulgou oficialmente aos colaboradores. Conforme ele, cinco pacientes permanecem internados pelo SUS, e novos não são aceitos. “Duas gestantes, que chegaram em trabalho de parto, enviamos para Santa Vitória do Palmar, a 350 quilômetros de Jaguarão.” A Secretaria Estadual de Saúde, em nota, relatou que reconhece que estão em aberto valores de R$ 109 mil de janeiro 2016 e de R$ 90 mil, que é uma complementação do teto de Média e Alta Complexidade.

Em Rio Grande, também na região, os 1,5 mil funcionários da Santa Casa prometiam greve a partir deste sábado, caso não tivessem os salários quitados ainda ontem. A direção da instituição afirmou que até o fim dessa sexta-feira haviam sido pagos mais R$ 700 de salários atrasados para cada funcionário e colaborador. Com isso, até ontem, os trabalhadores haviam recebido R$ 1,2 mil. “Esperamos regularizar o pagamento de todo o salário no início da próxima semana”, projeta o administrador, Jeferson Alonso.

Nessa sexta, a Câmara de Rio Grande repassou ao município R$ 649 mil para ajudar a quitar os vencimentos dos funcionários e médicos da Santa Casa. A verba é oriunda de economia do Legislativo. Os atrasos nos salários provocaram protestos no início da semana, e os médicos do pronto-socorro só atendem casos emergenciais. A instituição alega que o Estado só repassou R$ 2,3 milhões do contrato de quase R$ 6 milhões com a instituição. Já a Secretaria Estadual de Saúde alegou nesta semana que estão pendentes R$ 760 mil, referentes a incentivos estaduais de dezembro de 2015. Audiência estava prevista para ocorrer ontem na Câmara sobre o assunto.