Isolamento e trabalho em casa aumentaram produção de lixo doméstico e reciclável em Porto Alegre

Isolamento e trabalho em casa aumentaram produção de lixo doméstico e reciclável em Porto Alegre

Levantamento do DMLU, mostrou aumento em 2020, em relação ao mesmo trimestre de 2019, de 9,3% nos três primeiros meses da pandemia

Cláudio Isaías

Nos primeiros três meses da pandemia o aumento foi de 9,3% em relação ao mesmo período de 2019

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O período de quarentena imposto pelas autoridades de saúde para controle da pandemia da Covid-19 fez com que a produção de lixo doméstico e reciclável aumentasse em Porto Alegre e em outras capitais. O diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Carlos Silva Filho, ressaltou que a isolamento social e a prática do trabalho em casa aumentaram o volume de lixo no Brasil.

"As medidas de distanciamento social geraram no país um aumento de 15% a 25% na quantidade de resíduos residenciais", explicou.

Mesmo com a interrupção dos trabalhos em grande parte dos setores, a coleta de resíduos entrou na lista dos serviços considerados “essenciais” e que, portanto, não puderam parar. Carlos Silva explicou que o serviço não pode ser interrompido por diversos motivos, mas, principalmente, pela importância em relação à proteção do meio ambiente e da saúde humana.

Um levantamento do Departamento Municipal de Serviços Urbanos mostrou que em Porto Alegre a coleta seletiva teve um aumento em 2020, em relação ao mesmo trimestre de 2019, de 9,3% nos três primeiros meses da pandemia da Covid-19 e que esse aumento se seguiu pelos meses de julho a novembro na Capital. O isolamento social foi o responsável pelo aumento na geração de resíduos pelos porto-alegrenses.

A produção de lixo doméstico e reciclável aumentou em Porto Alegre desde o anúncio das medidas de isolamento social em função da Covid-19. As 16 unidades de reciclagem da Capital perceberam um aumento do lixo, principalmente o seco. A média mensal de resíduo seletivo recolhido em Porto Alegre antes da pandemia era de 1,2 mil toneladas. Somente em março, foram recolhidas mais de 1,4 mil toneladas - o volume foi comparado à época de Natal, em que tradicionalmente aumenta a geração de lixo reciclável na cidade.

A presidente da Cooperativa de Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (Cootravipa), Imanjara Marques de Paula, disse que ocorreu uma migração do Centro Histórico para os bairros onde as pessoas ficaram mais concentradas em razão do distanciamento social.

"Com a permanência das pessoas em casa, o lixo deixou, por exemplo, de ser gerado no Centro e se concentrou nos bairros", acrescentou.

O aumento na geração de resíduos é atribuído a diversos fatores, como o consumo de produtos e serviços solicitados pelos moradores, por meio de tele-entrega. Além disso, existe ainda o aumento da frequência da limpeza e organização do ambiente doméstico, novos hábitos de higienização e compras pelo sistema delivery.

Os resíduos orgânicos e o rejeito recolhidos são levados para a Estação de Transbordo, localizada na Lomba do Pinheiro, na zona Leste de Porto Alegre onde são descarregados em carretas e encaminhados ao Aterro Sanitário de Minas do Leão. Já os resíduos recicláveis direcionados à coleta seletiva são enviados para as 16 unidades de triagem existentes na cidade.

Um estudo da Abrelpe mostrou um aumento de 28% na coleta de resíduos recicláveis no Brasil nos meses de maio e junho, considerando apenas o lixo doméstico. O levantamento foi feito com operadores de diversos municípios, de diferentes regiões, que representam 60% do mercado de limpeza urbana do país. O resultado foi atribuído a maior permanência das pessoas em casa por causa da pandemia.

O hábito de reciclar também deixou a desejar entre a população. Segundo a associação, 98% das pessoas ouvidas consideravam a reciclagem importante. No entanto, 75% não realizavam a separação dos resíduos.

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