Isolamento em Porto Alegre não termina antes de maio, afirma Marchezan

Isolamento em Porto Alegre não termina antes de maio, afirma Marchezan

Apesar do movimento na Capital começar a crescer, prefeito projeta restrições durante todo o mês de abril

Por
Eduardo Amaral

População tem ido mais às ruas nos últimos dias, apesar da necessidade de isolamento


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As medidas de isolamento tomadas em Porto Alegre para combater o novo coronavírus não devem ser alteradas antes de maio. Essa é a perspectiva do prefeito Nelson Marchezan Júnior, que projeta a manutenção das restrições pelo menos até o dia 30 de abril. “A nossa intenção, é óbvio, é voltar o mais rápido possível com o regramento normal das atividades e da vida do cidadão, mas hoje a gente pode ver que até o final do mês não haverá mudança.”

Marchezan também reconhece que houve um aumento no número de pessoas circulando pela cidade nas últimas semanas, mas garante que isso ainda está sob controle. “O ideal seria que todos ficassem (em casa), alguns países estão fazendo isso, mas aqui em Porto Alegre, como regra, no sentido macro, a sociedade respondeu bem.”

Nas últimas semanas, o Centro começou a intensificar a movimentação de pessoas, bem como em locais de lazer como a Orla do Guaíba. “É normal que algumas pessoas comecem a ficar estressadas, angustiadas, ou até com algum tipo de necessidade, seja psicológica ou fisiológica, precisar comprar alguma coisa, e que acabe tendo algum movimento acima do que nós gostaríamos”, afirma Marchezan. O prefeito pede que quem sair na rua tenha ações mais cuidadosas para evitar a proliferação do novo coronavírus. “O que a gente tem que pedir é que, pelo menos, essa população mantenha os seus hábitos de higiene, mantenha-se afastada de outras pessoas, com distanciamento de dois, três metros se possível, que ao tossir e espirrar proteja a boca.”

Mesmo afirmando que no momento está tranquilo com relação o crescimento na movimentação, o prefeito não descarta que medidas mais duras possam ser tomadas. “Evidentemente que se, em algum momento, tiver algo acima daquilo que a gente entende que é seguro para a própria população e que isso esteja espalhando o vírus com muito mais velocidade, a gente vai ter que pensar em outras ações.”

O prefeito também avalia que as falas do presidente Jair Bolsonaro têm um impacto direto no comportamento da população. “A gente percebe que sempre que há uma manifestação do presidente acontece isso (aumento de pessoas nas ruas) e até acontece algum tipo de mobilização mais agressiva. Acho que não é o momento disso ser valorizado.” Marchezan tem sido pressionado por diferentes setores econômicos que querem a retomada do comércio, inclusive com carreatas pedindo a reabertura das lojas. Ele minimiza essas ações e afirma que não cederá sem comprovações científicas.

“Sem olhar para nenhum setor específico, sejam eles os mais bem aquinhoados financeiramente, sejam influentes. A gente também está olhando para aquilo que salva a vida da maioria de um milhão e meio de habitantes, sempre com bases científicas, com evidências.” De acordo com prefeito, o objetivo do momento é vencer a doença e deixar os outros assuntos de lado. “É uma crise econômica e, principalmente, o que é mais doloroso, uma crise social que já está afetando os mais pobres de Porto Alegre, do Estado, do Brasil e do mundo. O inimigo é o coronavírus, é a crise econômica e social e o resto a gente vai minimizando.”

Para Marchezan, mesmo quando as atividades forem retomadas, a sociedade terá de passar por uma grande mudança. “É muito importante que nós nos preparemos para uma realidade que é a atual com algumas alterações, porque o vírus vai continuar entre nós. As pessoas mais idosas vão ter que, obrigatoriamente, ter hábitos muito diferenciados. E é evidente que isso vai afetar vida de netos, filhos, amigos.”


Além disso, ele deixa claro que muitas empresas podem deixar de existir e reconhece que o impacto econômico do novo coronavírus será grande. “Desde as nossas relações pessoais, higiene e até a nossa própria economia também vai mudar em virtude do vírus, do medo e do perigo real que vai continuar.”