Jovens entre 15 e 29 anos são maioria entre vítimas de homicídios no Brasil
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Jovens entre 15 e 29 anos são maioria entre vítimas de homicídios no Brasil

Das 65.602 mortes violentas registradas em 2017, 35.783 tiveram como alvo pessoas desta faixa etária

Por
Correio do Povo

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No recorde de 65.602 mortes por homicídios registrados no Brasil em 2017, 35.783 vítimas tinham entre 15 e 29 anos, o que representa 54,54% do total, de acordo com a mais recente edição do Atlas da Violência, divulgada nesta quarta-feira. O valor surge em um momento em que está em curso o envelhecimento da população. A alta letalidade de jovens gera fortes implicações, inclusive, sobre o desenvolvimento econômico e social do País, apontam os pesquisadores responsáveis pelo estudo.

Assassinatos foram a causa de 51,8% dos óbitos de jovens de 15 a 19 anos; de 49,4% para pessoas de 20 a 24; e de 38,6% das mortes de jovens de 25 a 29 anos. Esses números representam um índice nacional de 69,9 homicídios para cada 100 mil jovens no país, o mais alto coeficiente nos últimos dez anos. Quinze unidades federativas apresentaram taxas acima da média nacional.

Os estados com as menores taxas de homicídios entre jovens foram São Paulo (18,5), Santa Catarina (30,2) e Piauí (38,9). Já as unidades federativas com índices mais elevados foram Rio Grande do Norte (152,3), Ceará (140,2) e Pernambuco (133,0). O Rio Grande do Sul ficou abaixo da média nacional, com uma taxa de 64 homicídios a cada 100 mil jovens.

De acordo com os pesquisadores, o tráfico de drogas e guerra de facções criminosas deflagrada entre junho e julho de 2016 entre os dois maiores grupos de narcotraficantes do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) e seus aliados regionais, contribuíram para a escalada de violência no Norte e no Nordeste. Além disso, a questão da desigualdade social é apontada com um fator preponderante na região.

Homens são 94,4% dos jovens assassinados

A criminalidade violenta está, conforme os dados, fortemente relacionada ao sexo masculino e ao grupo etário dos jovens de 15 a 29 anos. Ao todo, 94,4% (33.772) eram homens. Para todos os estados, quando é feito o recorte de homens jovens, a taxa de homicídios apresenta considerável elevação em relação à taxa geral de homicídios de jovens. No que se refere à evolução das taxas de homens jovens no País, observou-se um aumento de 38,3% entre 2007 e 2017. Já na passagem de 2016 para o ano de estudo, o crescimento foi de 6,4%.

Fortalecimento de políticas públicas

"É fundamental que se façam investimentos na juventude, por meio de políticas focalizadas nos territórios mais vulneráveis socioeconomicamente, de modo a garantir condições de desenvolvimento infanto-juvenil, acesso à educação, cultura e esportes, além de mecanismos para facilitar o ingresso do jovem no mercado de trabalho. Inúmeros trabalhos científicos internacionais, como os do Prêmio Nobel James Heckman, mostram que é muito mais barato investir na primeira infância e juventude para evitar que a criança de hoje se torne o criminoso de amanhã, do que aportar recursos nas infrutíferas e dispendiosas ações de repressão bélica ao crime na ponta e encarceramento", defende o relatório.