Juremir Machado da Silva recebe a Medalha do Mérito Farroupilha
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Juremir Machado da Silva recebe a Medalha do Mérito Farroupilha

Cerimônia ocorreu na Assembleia Legislativa

Por
Christian Bueller

Mais que imparcialidade, Juremir disse buscar independência nas suas opiniões

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Com direito a gravata borboleta e um livro na mão, como bom escritor que é, o jornalista, radialista e professor Juremir Machado da Silva recebeu hoje a Medalha do Mérito Farroupilha, na Assembleia Legislativa, Centro de Porto Alegre. Colegas da imprensa e de sala de aula, alunos de ontem e hoje, autoridades e admiradores anônimos estiveram no Salão Júlio de Castilhos da AL para cumprimentar o colunista do Correio do Povo e apresentador da Rádio Guaíba, que estava acompanhado da esposa, a professora Ana Cláudia.

A proposição da homenagem foi do deputado estadual Jeferson Fernandes (PT), que fez a entrega da honraria máxima do Parlamento gaúcho ao lado do presidente da Casa, deputado estadual Luis Augusto Lara (PTB). Em seu terceiro mandato, foi a primeira ocasião que dedica a homenagem. “Estou emocionado com este momento especial. A Casa aprovou por unanimidade. Significa que o Juremir não leva ninguém para compadre. É um trabalho imparcial, que deveria ser a marca de qualquer jornalista”, declarou Fernandes. O parlamentar disse que Juremir “é daqueles intelectuais que nos desafia no cotidiano”, valorizado não só na Capital, como no interior do estado. “Ele é uma luz nas trevas, nestes tempos em que encontramos dificuldades quanto ao respeito pluralismo e a democracia”.

Conhecido pelo respeito na condução de debates e pela coragem de dizer o que pensa, Juremir exemplificou o seu trabalho no jornalismo citando a passagem do documentário “Santiago, Itália”, que retrata o golpe militar no Chile. “Em certo momento, um torturador preso foi entrevistado e se incomodou com alguns questionamentos contundentes, dizendo ‘se eu soubesse que as perguntas não seriam imparciais, não falava’. Me faz refletir que no jornalismo de opinião, não tem como não se posicionar, não tomar parte contra o machismo, o feminicídio e a homofobia”, discursou, muito aplaudido.

Mais que imparcialidade, Juremir diz buscar independência nas suas opiniões. “Isto significa a capacidade e a disposição para decepcionar, qualquer um, em qualquer lado, a qualquer momento. Há momentos em que é preciso dizer não”. Professor renomado, não deixou de fazer citações de intelectuais como Max Weber, John Stuart Mill e Albert Camus. Juremir diz que é os políticos precisam “viver para a política e viver da política, como vocação, profissão”, se não a política fica reservada somente aos ricos. “Só não precisa aposentadoria especial”, brincou, novamente sob aplausos dos presentes. O homenageado lembrou que enquanto o torturador quer uma “imparcialidade impertinente”, o bom jornalista é independente para poder elogiar e criticar quando preciso. Juremir encerrou sua fala parafraseando o jornalista norte-americano Gay Talese. “É muito fácil ser justo com quem a gente concorda. O importante é também saber ouvir aqueles de quem discordamos”.

Portando uma bengala e uma rosinha, uma senhora esperava calmamente para tirar uma foto com Juremir. Aos 89 anos, a leitora e ouvinte Gessy Consuelo saiu de casa apenas para cumprimentá-lo. “Leio e ouço tudo o que ele faz. Gosto dele demais”, resumiu. O presidente da Assembleia Legislativa encerrou a cerimônia e ressaltou que “Juremir é um profissional que não cansa de nos surpreender pela postura e pela independência”. Em seguida, o Grande Expediente da AL seguiu com a homenagem.

Prestigiaram a homenagem os deputados Juliana Brizola (PDT), Luciana Genro (PSOL), Sofia Cavedon (PT), Luiz Marenco (PDT), Vilmar Zanchin (MDB), Sebastião Melo (MDB), Luiz Fernando Mainardi (PT), Sérgio Peres (PRB), Pepe Vargas (PT), Zé Nunes (PT), Frederico Antunes (PP) e Dr. Tiago. O diretor-geral da Rádio Guaíba, Claudinei Girotti, e o diretor de redação do Correio do Povo, Telmo Flor, também estiveram na cerimônia.

Ainda compareceram a secretária estadual de Comunicação, Tânia Moreira, que representou o governador Eduardo Leite, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Cezar Miola, o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino, o escritor e ex-secretário da Cultura Assis Brasil, os desembargadores Rogério Favreto e Francisco José Moesch, e representando a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), o jornalista Batista Filho.

Um homem de muitas histórias

Nascido em Santana do Livramento há 57 anos, é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e doutor em Sociologia pela Universidade de Paris, Juremir assina uma coluna diária no Correio do Povo, coordena o Caderno de Sábado e mantém um blog no mesmo jornal. Além disso, apresenta o Programa Esfera Pública, na Rádio Guaíba, e participa diariamente dos programas "Ganhando o Jogo", "Guaíba News" e "Direto ao Ponto". Além disso, é professor do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da PUC-RS e integra o conselho editorial das revistas estrangeiras Societés, Hermès e Esprit Critique.

Juremir também é um escritor, com obras premiadas, como “Jango: A vida e a morte no Exílio”, agraciado em 2014 com o Prêmio Brasília de Literatura, na categoria Reportagem, e “Raízes do Conservadorismo Brasileiro”, que recebeu o Prêmio Açorianos, Categoria Ensaio de Literatura e Humanidades, em 2018, e que era o livro que carregava nas mãos durante a cerimônia.