Manifestantes pretendem impedir circulação dos ônibus em Porto Alegre

Manifestantes pretendem impedir circulação dos ônibus em Porto Alegre

Greve geral deve afetar a oferta de serviços públicos municipais e o funcionamento dos bancos

Henrique Massaro

Sindicalistas prometem paralisar a capital gaúcha nesta sexta-feira

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A greve geral contra a Reforma da Previdência, marcada para esta sexta-feira, apesar de contar com a união de todas as centrais sindicais, encontra certa divisão entre as categorias específicas. Um dos grandes determinantes do impacto que a paralisação terá nas ruas é a circulação dos ônibus de Porto Alegre, que, de acordo com decisão dos rodoviários, deverá ser mantida. Apesar disso, o acesso ao transporte poderá ser impactado, porque as centrais que convocaram a mobilização prometeram fechar as garagens da Carris e da Sopal, que adentem a bacia Norte da Capital em direção ao Centro Histórico. Também havia a expectativa de que motoristas e cobradores se reunissem em assembleia durante a última madrugada para definir operação-tartaruga em, pelo menos, um corredor de ônibus como forma de protesto. A proposta é de conduzir os coletivos a 30 km/h, metade da velocidade permitida.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, Adair Silva, disse que os funcionários das empresas estão tratando a manifestação de hoje com parcimônia, pois há receio de corte de ponto e demissões. “Com essa proposta do prefeito em retirar os cobradores dos coletivos, os trabalhadores estão com receio de aderir a uma greve geral. Eles não dispostos a dar mais artifício para os empresários. A gente não quer forçar nada”, explicou. Apesar da posição oficial da categoria, grupos de rodoviários defendem a paralisação. A Carris, por sua vez, afirmou que tem um plano de contingência. A empresa vai aguardar orientações dos órgãos de Segurança Pública, mas mantém a previsão de operação conforme a tabela normal de circulação. A Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) também informou que os carros das empresas estarão prontos para circularem normalmente.

O funcionamento dos ônibus está diretamente ligado ao impacto em outros setores, entre eles serviços essenciais. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), existe um sentimento de apreensão em saber se será possível manter o mínimo de atendimento necessário. A pasta ainda estudava uma maneira de viabilizar alguma forma de transporte alternativo para fazer com que os trabalhadores dos serviços de urgência e emergência pudessem se deslocar no caso de um impacto considerável no transporte coletivo. O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) afirmou que o funcionamento necessário de áreas como a Saúde e o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) serão respeitados.

A adesão do Simpa à greve foi definida em assembleia da categoria. De acordo com o diretor-geral Alberto Terres, o Sindicato tem conversado com a categoria municipária em seus locais de trabalho para que a participação na greve seja ampla, mas não há uma previsão de impacto nos serviços. À exceção dos essenciais, a recomendação é de que a paralisação seja total. Escolas municipais, por exemplo, devem parar na sexta. Na Educação estadual, a previsão é a mesma. O Cpers/Sindicato orientou que todos os educadores do Estado contatem seus núcleos para aderirem as atividades que serão realizadas contra a Reforma da Previdência. Na Capital, haverá ato às 18h na Esquina Democrática. No Ensino Superior, os sindicatos dos docentes da Ufrgs IFRS (Andes Ufrgs, SindoIF Andes e Adufrgs) e o Sindicato dos Técnico-Administrativos em Educação (Assufrgs) informaram que aderiram à greve.

A categoria dos metroviários definiu adesão à paralisação há cerca de um mês em assembleia do Sindimetrô RS, garantindo que não haveria circulação de trens. No final da tarde de quarta-feira, no entanto, a Trensurb entrou com um pedido de abusividade da greve junto ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para que o serviço seja mantido em sua plenitude durante a sexta. A direção da empresa tinha reunião agendada no TRT nesta quinta para tratar deste assunto e ainda afirmou que tomaria medidas administrativas para garantir o funcionamento do transporte.

O Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre, por sua vez, informou que a recomendação era de que sua categoria aderisse à greve e às atividades propostas pelas centrais sindicais. Apesar da recomendação aos trabalhadores, não foram programadas manifestações para o Porto Alegre Airport – Aeroporto Salgado Filho, que deveria ter funcionamento normal. De acordo com o diretor de Comunicação do Sindicato, Osvaldo Rodrigues, a única expectativa era de que as manifestações nas ruas pudessem vir a impactar nos voos.

O Sindbancários, por sua vez, fez amplo chamamento para a categoria aderir à paralisação e a expectativa é de que não haja atendimento nas agências. “Sexta-feira é greve gral contra a Reforma da Previdência, nós bancários e bancárias temos o compromisso, pelo nosso futuro e das próximas gerações, de derrotar essa proposta que visa acabar com nosso direito de se aposentar”, afirmou o presidente Everton Gimenis em comunicado. O Banrisul informou somente que “está tomando as medidas de rotina” com relação à mobilização e a Caixa Econômica Federal comunicou que aguardava determinação geral da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

No comércio, a greve não deverá ter impacto, já que o Sindilojas Porto Alegre orientou que os comerciantes da Capital e de Alvorada abram normalmentena sexta, confiando que as autoridades terão competência para manter a mobilidade pública, a manutenção da ordem e a segurança dos trabalhadores. “O Sindilojas Porto Alegre manifesta sua posição contrária à paralisação prevista para sexta-feira. A entidade entende e respeita o direito a manifestações, desde que pacíficas e que não interfiram no direito de ir e vir daquelas pessoas que não queiram aderir”, informou em nota.


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