Medicamentos para intubação podem faltar em mais de 1,3 mil municípios brasileiros

Medicamentos para intubação podem faltar em mais de 1,3 mil municípios brasileiros

Pesquisa da CNM apontou que do total de 2.611 cidades consultadas, a falta de remédios foi sinalizada por 50,4%

Jessica Hübler

Mais de 80% dos entrevistados afirmaram que nesta semana não receberam o oxigênio do seu respectivo Estado

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A primeira edição da pesquisa Covid-19 da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que vai acompanhar semanalmente os temas e os assuntos que mais preocupam os gestores, apontou que mais de 1,3 mil municípios brasileiros podem ter falta de medicamentos do "kit intubação".

Conforme o estudo, a CNM verificou que 1.316 gestores municipais informaram que há risco iminente de os hospitais ficarem sem medicamentos para intubar pacientes com quadros graves do novo coronavírus. Do total de 2.611 cidades consultadas, a falta de medicamentos foi sinalizada por 50,4%.

Além disso, 27,2% dos municípios, ou seja, 709, também apontaram que há risco de faltar oxigênio para suprir a demanda de pacientes internados com Covid-19. Mais de 80% dos entrevistados afirmaram que nesta semana não receberam o oxigênio do seu respectivo Estado, e 8,8% declararam que receberam.O período de coleta dos dados pela CNM foi de 23 a 25 de março de 2021.

Distriuição no RS

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que na quinta-feira o Exército Brasileiro, a pedido do governo do Estado, distribuiu uma nova remessa de medicamentos do kit intubação, que inclui anestésicos e bloqueadores neuromusculares necessários ao procedimento de intubação em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), ou mesmo fora de UTIs, como em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

A SES ainda destacou que realiza um levantamento semanal com os hospitais gaúchos do estoque de um total de 22 medicamentos utilizados para a intubação em UTIs. A ação visa ao acompanhamento da quantidade de cada um na rede hospitalar pública.

Lockdown

Além da falta de insumos, o levantamento da CNM também questionou os gestores a respeito da restrição das atividades econômicas nas regiões. Os resultados indicaram que 37,6% dos municípios pesquisados realizaram "lockdown" como medida para conter a propagação da Covid-19 e 61,1% afirmaram que ainda não tomaram esta atitude.

Com relação à restrição da circulação de pessoas à noite, 81,5% dos municípios informaram que estão com essa medida em vigor, enquanto 17,6% declararam que ainda não adotaram. A maioria também declarou que está em vigência a restrição das atividades nos finais de semana: 88,4% das cidades brasileiras estão adotando esta prática nesta semana, e somente 10,5% não.

"A CNM espera que esses dados possam ser utilizados de forma a auxiliar os municípios brasileiros neste momento de extrema dificuldade e ações concretas sejam realizadas para mitigar os problemas nos sistemas de saúde de todo o país", consta no documento.

A partir de agora, a CNM deverá realizar pesquisas regulares com questões que serão repetidas com o objetivo de obter uma evolução histórica semanal, e outras implementadas a fim de conhecer a realidade local no enfrentamento da pandemia.


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