Menos de um ano após ser inaugurada, nova Ponte do Guaíba apresenta sinais de abandono

Menos de um ano após ser inaugurada, nova Ponte do Guaíba apresenta sinais de abandono

Além de servir como abrigo para pessoas em vulnerabilidade, estrutura inacabada possui pichações e marcas de queimaduras de fogo

André Malinoski

Além de servir como abrigo para pessoas em vulnerabilidade, estrutura inacabada possui pichações e marcas de queimaduras de fogo

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A nova Ponte do Guaíba é uma importante obra viária para o Rio Grande do Sul. Inaugurada em 10 de dezembro de 2020, além de desafogar o trânsito de Porto Alegre, a travessia serve como alternativa de ligação da Capital com a Região Sul do Estado. Possui uma extensão de 12,3 quilômetros com um total de cinco quilômetros em acessos e 7,3 quilômetros em pontos como ponte sobre os canais navegáveis, elevadas e viadutos. A estrutura possui cerca de 28 metros de largura, em pista dupla com duas faixas de tráfego (em cada sentido), com acostamento e espaço para refúgio. Porém, apesar dessa pujança, a ponte ainda carece de melhorias e tem sido alvo de pichações e queimaduras de fogo em algumas alças, que também servem de abrigo para pessoas.

Para quem passou nesta quinta-feira pela rótula da rua Voluntários da Pátria com a Dona Teodora, percebia que as obras estão paralisadas, o que acontece desde o final do ano passado. Mas havia um trator e um equipamento de elevação sendo utilizados por funcionários da Construtora Queiroz Galvão. Parecia que estavam inspecionando parte da estrutura. Dezenas de vigas de sustentação da ponte podiam ser vistas no chão.

A construção foi inaugurada sem a entrega de quatro das sete alças da travessia. Nas alças da região perto da Vila Areia há diversas pichações e partes queimadas, além de pessoas vivendo de modo improvisado. Um casal estendeu lençóis e desfruta de privacidade, inclusive com sofá e armário no abrigo improvisado. Poucos metros à esquerda desse local, há outros moradores e é possível ver colchões e lonas.

Menos de um ano após sua inauguração, a estrutura começa a exibir aspectos de abandono pelo Poder Público. “A continuidade das obras visando a conclusão dos quatro ramos de acesso deve ser inserida na futura concessão das BR 116 e 290. Assim informações relacionadas a esse tema aguardam essas definições”, informou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit/RS). A remoção das famílias das vilas Tio Zeca e Areia também vai ficar a cargo da concessionária.

A nova travessia funciona como uma alternativa à ponte Getúlio Vargas, que existe desde 1957 e tem um vão móvel que precisa ser elevado quando um navio de grande porte precisa passar sob ela. Quando esses içamentos acontecem, o trânsito é interrompido e causa filas de carros nos dois sentidos entre a Capital e a Região Sul. “A nova Ponte do Guaíba está 97% concluída e em operação. Até o momento foram investidos no empreendimento cerca de R$ 820 milhões”, relata o Dnit/RS.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou, no final de agosto, que a conclusão das alças de acesso integrarão um programa de concessão de Porto Alegre a Camaquã na BR 116 e BR 290, seguindo até Caçapava do Sul. O governo federal pretende fazer a licitação no próximo ano. Cerca de 50 mil veículos passarão diariamente pela nova estrutura quando todas as obras estiverem finalizadas. Hoje, aproximadamente 40 mil automóveis transitam por dia pela ponte.


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