Mercado Público comemora 150 anos com música, cerimônia religiosa e flash mob

Mercado Público comemora 150 anos com música, cerimônia religiosa e flash mob

Um bolo de 3 metros reuniu funcionários, colaboradores e clientes nesta quinta-feira

Christian Silva

Um bolo de 3 metros reuniu funcionários, colaboradores e clientes nesta quinta-feira

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Ao som de “Parabéns pra você” entoado pela Banda Municipal de Porto Alegre e um bolo de 3 metros e mais de 25 quilos, o Mercado Público comemorou, nesta quinta-feira, 150 anos de história, com festa e aquilo que o local sabe fazer de melhor: reunir muita gente. A Associação do Comércio do Mercado Público (Ascomepc) preparou atividades durante todo o dia, entre cerimônias religiosas, abraço no prédio e até flash mob apresentado pela Companhia Municipal de Dança.

A presidente da associação Adriana Kauer convive há 36 anos com os cheiros e cores do Mercado e fez um discurso carregado de emoção durante a solenidade oficial do aniversário. “Quero agradecer aos verdadeiros amigos do Mercado, aos mercadeiros e às pessoas que realmente respeitam este lugar. Ao meu pai, por toda a sua história e tudo que me ensinou, e aos escravos que colocaram cada pedra neste prédio. Mercado Público, que no seu nome seja mantida a sua essência”, salientou.

O prefeito Nelson Marchezan Jr. também destacou o papel dos negros na construção do Mercado, agora um Patrimônio Cultural também do RS, não só do município. “Saúdo os antigos e novos permissionários deste lugar frequentado por porto-alegrenses e de fora, que vêm comprar e vender, fazer exibições ou assisti-las”, disse, entre aplausos e algumas vaias. “Faz parte da minha vida” é uma das frases mais repetidas quando se pergunta o seu significado para algumas das milhares de pessoas que circulam nas suas dependências todos os dias. Desta forma, a secretária-executiva da Ascomepc, Mara Regina Outeiral, uma das homenageadas durante a solenidade, resumiu, emocionada, a importância deste símbolo de Porto Alegre.

Outras duas figuras renomadas do Mercado também receberam placas de reconhecimento. Wilson Bocca, 75 anos, da banca 38, comercializa há 64 primaveras no coração da cidade. “Eu amo trabalhar aqui. A gente vive mais tempo aqui do que em casa. Só pude fazer isso por causa do apoio desta minha jovem”, conta, de braço dado com a esposa Eva. De sorriso largo e movimentos rápidos, José Carlos Lopes Tavares, o Zezinho do Gambrinus, também foi homenageado. Há “40 e poucos” no estabelecimento, brinca que ainda não foi promovido dos serviços gerais da casa. “Meu cargo é desconfiança”, gargalha o garçom de 72 anos, considerado um dos funcionários mais queridos do Mercado.

O Mercado é de todos. É do experiente “Pedro de Lara”, como é conhecido o verdureiro Adroaldo Fraga, 68 anos, que acorda às 4 horas, trabalha 13 e vê cerca de 200 pessoas passar pela banca 10 atrás de hortifrutigranjeiros mais baratos e de qualidade. “Quando tem feriado, fico doente. Gosto de vir aqui”. O Mercado é também do pequeno Lorenzo, de seis anos. “A coisa mais legal é ajudar o meu avô”, diz o filho da Claúdia e neto de Leonel de Paoli, que mantêm a Flora Bandeira. “Meus pais se conheceram aqui. Aqui é o meu chão”, diz a mãe de Lorenzo, que deverá seguir a bandeira da família e do local que gosta tanto.


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