Mercado Público registra aglomeração na véspera da Sexta-Feira Santa

Mercado Público registra aglomeração na véspera da Sexta-Feira Santa

Movimento foi acentuado mesmo com orientações sobre pandemia de coronavírus

Felipe Samuel

Mercado Público teve aglomeração nesta quinta-feira

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Na véspera da Sexta-Feira Santa, o movimento no Mercado Público foi acentuado nesta quinta-feira durante todo dia. Longas filas se formaram do lado de fora, uma vez que a prefeitura limitou o acesso à entrada pela Praça XV de Novembro em função da pandemia do novo coronavírus. Mesmo com todas as orientações das autoridades de saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar aglomerações, centenas de pessoas - a maioria sem máscaras de proteção - encararam uma espera de até meia hora para ingressar no mercado. Muitas sequer respeitavam o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre as pessoas.

Mesmo com a presença de agentes de fiscalização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), que repassavam instruções ao público sobre como permanecer na fila e evitar proximidade entre os usuários, o que se viu foram idosos, crianças acompanhadas dos pais e grupos com até três pessoas aguardando a vez de ingressar no mercado. Do outro lado, na Júlio de Castilhos, outra fila se formou e se estendeu até a avenida Borges de Medeiros. A fila era exclusiva para quem ia comprar peixe em uma casa especializada. 

Preocupada com a comemoração religiosa, a esteticista Fabiana Martins enfrentou meia hora de fila para escolher um tipo peixe. "A família gosta muito de salmão e tilápia, e a qualidade daqui é melhor, por isso pra mim vale a pena. Foi a única saída", frisa. Fabiana aprovou a organização do lado de fora, mas cobrou mais consciência da população. "As pessoas poderiam ter mais consciência e ficar mais separadas, mas para entrar a organização está boa", observa. A massoterapeuta Vera Lúcia Gonçalves, 63, que integra grupo de risco para a Covid-19, também encarou a fila para escolher peixe anjo. "Não está demorando muito, o pessoal está bem orientando e mantendo distância necessária", avalia. 

Agente de fiscalização da SMDE, Antônio Carlos Amadori explica que houve movimento intenso pela manhã, quando mais de 200 pessoas formaram fila na Praça XV. Ele relata que em média cada cliente levava de 15 a 20 minutos para entrar. "A gente sempre orienta quando entram na fila aqueles que estão muito próximos, agrupados.Pedimos para deixar espaçamento mínimo de segurança para o bem deles mesmo", destaca. Mesmo com atuação dos agentes, muita gente prefere ignorar as recomendações, inclusive idosos que entram na fila sem uso de máscara. "Não respeitam essa delimitação de espaçamento entre um e outro. E tem outras pessoas que trazem crianças pequenas. Alguns são bem conscientes, mas tem pessoas que não têm consciência dessa necessidade de se proteger contra essa epidemia nesse momento", frisa.

A Associação do Comércio do Mercado Público Central (Ascomepc) indicou que "todas as bancas e lojas do Mercado são orientados, não apenas neste momento de pandemia, a manterem hábitos de higiene compatíveis com o serviço oferecido aos clientes. Assim como lamenta o ocorrido, ressalta que não tem como se responsabilizar com atitudes isoladas como a relatada neste caso. No entanto, irá reforçar com todos os lojistas a necessidade de um cuidado redobrado para que situações deste tipo não voltem a se repetir".

Falta de cuidados com a higiene 

Se em tempos normais o cuidado com higiene no manuseio dos produtos alimentícios é fundamental, no momento de pandemia do novo coronavírus essa prática ganha ainda mais importância. Mas não foi o que a comerciária Eliana Cunha, 59, percebeu ontem em uma banca que vende peixes no Mercado Público. Após escolher dois quilos de filé de anjo, ela se surpreendeu com o gesto do vendedor que pesou o produto sem uso de luvas e sugeriu pagar no mesmo local. "Perguntei se ele ia cobrar com a mesma mão que botou peixe. Falei para ele que não dá para fazer isso", afirma. 

Ela informou o vendedor que havia filas do lado de fora do estabelecimento e que as pessoas podiam estar contaminadas. "Esse dinheiro já passou em milhares de lugares, é a coisa mais suja que tem na vida é o dinheiro", alerta. Após sair desapontada com atendimento e sem comprar o peixe, Eliana informou os agentes Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e um responsável pelo Mercado Público que garantiu que iria falar com o atendente.


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