Metroviários pedem revisão dos critérios de prioridade para vacinação contra a Covid-19

Metroviários pedem revisão dos critérios de prioridade para vacinação contra a Covid-19

Segundo OMS, o transporte público é o segundo ambiente mais perigoso para a contaminação por coronavírus

Christian Bueller

Manifestação foi planejada para não ser numerosa devido ao contexto da pandemia

publicidade

Representantes do Sindicato dos Metroviários do Rio Grande do Sul (Sindimetrô) realizaram um ato, nesta quarta-feira, na Estação Mercado, no Centro de Porto Alegre, pedindo vacinação de forma mais ágil à categoria. Trabalhando ininterruptamente desde o início da pandemia, eles estão entre as classes da linha de frente durante a crise da Covid-19. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o transporte público é o segundo ambiente mais perigoso para a contaminação por coronavírus, ficando atrás apenas dos hospitais.

O medo dos metroviários aumentou com duas mortes recentes de colegas, infectados pela doença. Giovani Vasconcellos, de 57 anos, funcionário da ouvidoria do Trensurb, perdeu a vida em 14 de março, e Eduardo José de Lima, 59 anos, que trabalhava no Centro de Controle Operacional (CCO) da empresa, faleceu na última segunda-feira. A mobilização questionou os critérios que estabelecem os grupos prioritários da vacinação.

“O metrô não deixou de funcionar nenhum dia durante a pandemia. Tivemos mais de 20% de colegas contaminados. Queremos ser incluídos na lista de vacinação de verdade. Estamos lá no final da lista”, explicou o presidente do Sindimetrô, Luís Henrique Chagas, que acredita ver a categoria ser imunizada somente em 2022, se as regras atuais se mantiverem.

Nova discussão

Chagas reitera que a prioridade deve estar mesmo nos profissionais de saúde, mas sugere uma nova discussão sobre o tema. “Todo mundo que é obrigado a sair de casa para trabalhar todos deveria ser prioritário. Dou exemplo da minha mãe: ela foi vacinada, coisa boa! Mas ela não precisa sair de casa, nós, sim”, salienta.

O presidente do Sindimetrô lembra que as pessoas que utilizam os trens diariamente não se aglomeram intencionalmente. “Quem se amontoa no trensurb não está numa festa clandestina. São obrigados a saírem para trabalhar”, exemplifica Chagas. A posição do Sindimetrô é de que, “enquanto a vacina não está disponível para todos, por incompetência do Ministério da Saúde, as prioridades precisam ser revistas."

A manifestação, que contou com representantes de rodoviários, trabalhadores dos Correios e profissionais de saúde, foi planejada para não ser numerosa devido ao contexto da pandemia e ocorreu de forma pacífica e respeitando os protocolos sanitários, como uso de máscaras e distanciamento físico mínimo.

Até o momento, três metroviários estão internados, sendo dois em estado grave na UTI. No total há 70 funcionários afastados por Covid e mais 150 que já foram contaminados pelo coronavírus. “Os metroviários da linha de frente precisam da vacina. Nesse ritmo o serviço ficará comprometido”, alertou Chagas.

O sindicato também exige que a empresa ofereça EPIs de qualidade aos metroviários, como as máscaras pff2. A entidade também solicita que a Trensurb disponibilize álcool em gel aos usuários e mantenha a higienização completa dos vagões, o que, segundo o Sindimetrô, não está ocorrendo.

A Trensurb divulgou que, além de fazer testagens em metroviários, tomar outras “medidas de prevenção à propagação da Covid-19, como o fornecimento de máscaras de proteção e álcool em gel aos empregados, o fechamento das bibliotecas das estações Mercado e Novo Hamburgo, a suspensão de treinamentos e eventos coletivos presenciais, a priorização de reuniões por meio remoto; a divulgação interna de orientações de prevenção; a autorização de trabalho remoto e escala de revezamento para áreas administrativas”.


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895