Moradores da região das ilhas têm casas invadidas pelo Guaíba

Moradores da região das ilhas têm casas invadidas pelo Guaíba

Nível atingiu 2,30 metros, mas nenhuma família foi removida

Cláudio Isaías

Alguns pescadores chegaram a transportar de barco os moradores da rua Nossa Senhora da Boa Viagem

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Com a nova elevação do Guaíba, que pela manhã atingiu o nível de 2,3 metros, os moradores da Ilha da Pintada, Grande dos Marinheiros e do Pavão tiveram suas residências invadidas pela água nesta quinta-feira. A medição foi feita na Estação Cais Mauá por volta das 11h30min. Segundo a Defesa Civil de Porto Alegre, a região do Arquipélago apresentou pontos de inundação na via pública e nas residências. A equipe da Defesa Civil, o Centro de Relações Institucionais e Participativas (CRIP/Ilhas), a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) e Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul estão prestando assistência a comunidade local. O diretor-geral da Defesa Civil, Evaldo Júnior, disse que até o momento, nenhuma família foi removida.

As previsões continuam indicando ventos favoráveis ao escoamento para a Lagoa dos Patos. Com isso há perspectiva que, a partir de sexta-feira o nível do Guaíba comece a baixar. A Defesa Civil Municipal permanece no bairro Arquipélago, monitorando a situação e em permanente contato com os moradores. Para os próximos três dias a previsão é de vento Nordeste, o que segundo a Defesa Civil de Porto Alegre, ajudará no escoamento das águas em direção a Lagoa dos Patos. Conforme Evaldo Júnior, a Defesa Civil está preparada para o caso de que ocorra a solicitação de retirada das famílias das ilhas, o que não ocorreu até o momento.

A rua Nossa Senhora da Boa Viagem, na llha da Pintada, virou um "rio" ao longo de quase toda a sua desde a sede da Colônia de Pescadores Z 5 até a rua dos Marinheiros. O alagamento da via ontem pela manhã obrigou que os moradores deixassem suas casas de barco ou caminhassem descalços pela via. Morador há 20 anos da região, o metalúrgico Renan Soares Trindade disse que a família segue em estado de alerta. "Colocamos alguns móveis na parte superior da casa", explicou ele ao observar a água que já estava no seu pátio. A doméstica Vera Monteiro saiu para trabalhar com água pelos joelhos. "Espero que a chuva pare".

Alguns pescadores chegaram a transportar de barco os moradores da rua Nossa Senhora da Boa Viagem. A Defesa Civil de Porto Alegre monitora desde o dia 2 de novembro, o nível do Guaíba. Devido às fortes chuvas dos últimos dias, as cabeceiras das bacias hidrográficas do Jacuí, Caí, Gravataí e dos Sinos impactam diretamente o nível da região. “Com relação a orientações à população, a Defesa Civil está de prontidão realizando vistorias periódicas e à disposição pelo telefone de emergência 199", destacou o diretor-geral da Defesa Civil.

A Defesa Civil também fez contatos com órgãos parceiros como a Fasc e o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul, para ajustar detalhes de uma possível intervenção conjunta para atendimento da população caso seja necessário. “Embora o nível do Guaíba tenha invadido pontos do bairro Arquipélago, não há registros de ocorrências graves ou de pessoas ou famílias desalojadas ou casas inundadas”, ressaltou Evaldo Júnior. Segundo a Defesa Civil de Porto Alegre, o nível de perigo para alagamentos é de 2,50 metros.


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